O deputado Roberto Engler (PSB), candidato à reeleição, foi entrevistado ontem, dentro do projeto Sabatinas do Comércio, e a entrevista foi ao ar pela rádio Difusora, ao vivo. Ele disse que a decisão de enfrentar o governo e de se posicionar contra a instalação de pedágios na região foi sua maior conquista. Engler falou das dificuldades de relacionamento com os prefeitos de Franca, comentou a polêmica mudança de partido e disse que não engole João Doria. Confira abaixo o que pensa o parlamentar que tenta o oitavo mandato.
Por que devo ser reeleito?
“Me sinto um instrumento a serviço das pessoas. O Papa Francisco diz que a política é uma das atividades notáveis e que através dela conseguimos fazer o bem para o próximo. Me enquadro nesta frase. Ser um instrumento a serviço das pessoas é muito nobre. Vou atrás de soluções dos problemas e de recursos para melhorar a vida das pessoas. Se as coisas estão acontecendo, enquanto eu tiver saúde e suportar a pressão da família, não tenho o direito de abandonar a política, pois estou sendo útil. As votações que recebo mostram a satisfação dos eleitores e me obrigam a colocar o meu nome à disposição”.
Como lidar com o desgaste?
“Dizendo a verdade. Não tenho medo da verdade. Estou sempre pronto para responder o que me perguntarem, sem esconder nada, e apresentando aos eleitores quem sou. Não sinto nenhuma consequência do desgaste na minha política”.
Maior conquista
“Não tenho dúvida em responder. Na política, é preciso ter coragem e tomar decisões. O episódio em que o governador queria instalar mais três pedágios na região sem nenhum centavo de investimento (e que ele se posicionou contra) foi o que mais me encheu de orgulho. Ou eu falava amém para o governador, que era meu parceiro há 35 anos, ou defendia as pessoas que votaram mim e que esperavam minha reação. Fiquei do lado do povo. Houve as manifestações que pararam rodovias e as moções de repúdio aprovadas por Câmaras. Em pronunciamento na Assembleia, eu disse para o governador ouvir o ‘panelaço da Alta Mogiana’ e que os governos existem para melhorar a vida das pessoas, não, para só arrecadar. No dia seguinte, ele cancelou os três pedágios. Isto me deu uma satisfação interior. Cumpri a minha missão”.
Portas fechadas
“Paguei um preço pela minha postura contrária. O governador não me recebeu mais para audiências e os secretários ligados ao Palácio não abriam mais as portas para mim. Houve um rancor porque eu detonei um plano do governo que era só arrecadatório”.
Mudança de partido
“Não me arrependo. Acho que tomei a decisão correta. Tenho uma insatisfação com o momento atual do PSDB. Antes das prévias, eu já havia avisado a nossa bancada que eu não apoio o João Doria. É uma pessoa que não me desce. Não gosto deste sistema dele com selfie e música do Ayrton Senna. Ele me lembra o Fernando Collor. Como ele ganhou as prévias, fiquei de saia-justa no partido. Recebi o convite do Márcio França para mudar de partido com a possibilidade de ajudar mais a cidade e aceitei.”
Aposta arriscada
“Claro que, se o governador for o Márcio França, as conquistas serão mais fáceis. Se for qualquer outro, a cidade não será prejudicada. Tenho minhas prerrogativas como parlamentar. Represento uma região e o governador terá que receber o parlamentar e ouvir as demandas que ele tem”.
Falta de diálogo
“Pedi quatro audiências com o Gilson para me colocar à disposição e ele não atendeu. Não quer usar o deputado. Nunca estive no gabinete do Sidnei, acho que ele ganhou a medalha de ouro (em dificuldade). Em princípio, o Alexandre foi acessível, depois, mudou. Sabe qual foi o melhor prefeito com que eu trabalhei? O Gilmar Dominici. Ele me recebia, pedia minha ajuda, foi o único”.
Saída de empresas
“Isto acontece por causa da guerra fiscal, que é um tema nacional. É preciso que haja uma intervenção do Governo Federal para coibir. Como deputado, tenho interferido junto ao governo do Estado e levado os pleitos da indústria de calçados. Além de apoiar as indústrias, precisamos criar alternativas para abrigar as pessoas que ficaram desempregadas. Ouço desde a época de Mário Covas que vai acabar a era industrial e vai entrar era da prestação de serviços. Temos que ficar atentos e qualificar as pessoas para novas atividades”.
Medicamentos de alto custo
“O problema atinge todo o Estado. Participei de reuniões na Coordenadoria de Saúde e conseguimos avançar. Faltavam R$ 7 milhões para atender às demandas judiciais. Conseguimos reduzir para R$ 2,8 milhões. Outra iniciativa importante é a implantação do Acessa SUS, que possibilita ao Estado oferecer uma alternativa de medicamento ao paciente”.
Santa Casa
“Sempre estive à disposição para ajudar. Recentemente, conseguimos liberar duas emendas para o hospital: uma de R$ 150 mil para a compra de equipamentos e outra de R$ 500 mil para a compra de medicamentos no Hospital do Câncer”.
Faculdade municipal gratuita
“Se tem dinheiro, tudo bem, mas acredito que não seja esta a situação da Prefeitura de Franca. Não é uma boa iniciativa. Se eu fosse o Gilson, iria apoiar mais o Unif-Facef e conceder bolsas de estudo”.
Placa de obra que não existe
“Recebi a promessa do governo de que a estrada velha Franca Batatais seria asfaltada e que o projeto estava pronto. Coloquei a placa, mas acabou o dinheiro e a obra não foi feita. Desculpa, mas, com vergonha, tirei a placa. Continuo cobrando o serviço”.
Mensagem final
“Mudei meu número: Agora, é Roberto Engler 40 100”.
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