Diz a lenda que o Brasil é um país acolhedor, próspero e de oportunidades. Diz a lenda... O Brasil, talvez violento e ignorante em seu âmago, perdeu a vergonha, perdeu o senso de vida em sociedade, ignora os limites da cidadania... Os brasileiros vivemos como animais. Qualquer noção de bom senso foi desprezada pelo simples desejo de impor seus pensamentos, suas pretensas teorias ideológicas. Na esteira de tamanho desprezo pelo ser, impensadas cenas de selvageria insistem em fazer parte do cotidiano nacional. A facada em um candidato à presidência da República não é nada menos que a concretização da ignorância pregada pelo próprio e análogas - em grande parte dos casos - aos seus praticantes. Esses, para a descrença de um futuro promissor para a Nação, são a maioria de um país que prefere fingir bondade, prosperidade, nobreza.
O Brasil chegou ao ponto de que nenhuma pretensa e falsa qualidade - enfiada goela abaixo de cada cidadão do país desde a ditadura militar, há mais de 40 anos, e repetida efusivamente décadas depois - é mais capaz de pacificar a população. Com a revolução tecnológica, com o ápice das redes sociais, todo e qualquer cidadão tem o mesmo poder de questionar paradigmas, valores, costumes. Toda e qualquer pessoa tem a mesma voz através da internet. Ao democratizar o acesso às ferramentas de divulgação de mensagens, as redes sociais deram voz a milhões e milhões de pessoas. Neste meio, cresceu o patrocínio da discórdia, da disputa, do ódio.
A facada desferida contra um candidato à presidência da República é exemplo claro de que os brasileiros não estão dispostos ao debate. Os brasileiros não querem o divergente. Os brasileiros aprenderam, a partir de um discurso do ex-presidente Lula (PT) - há quase 10 anos - de que “somos nós contra eles” e, assim, a atacar o opositor, a odiar o diferente. Não há - e numa sociedade tão carente de conhecimento, não teria como haver - um respeito pelo discordante.
E aos que disputam o poder, num momento tão obscuro da história nacional, a ignorância é o ingrediente mais convulsionador de suas campanhas. Seres que não pensam são facilmente maquinados, manipulados, usados. A ignorância ganha, hoje, defensores vorazes em plataformas digitais que deram vozes a seres desprovidos da capacidade de duvidar. Vomitam e reproduzem ad infinitum todas as bobagens a que tem acesso. A violência e a ignorância brasileira venceram.
A culpa, não importa de quem seja. A solução, esta sim, depende de cada de nós. Por menos tiros, por menos facadas, por menos chutes, socos, empurrões e palavrões, pense em quem votar. Não transforme sua escolha em uma disputa de torcida. Vote naquele que melhor represente suas ideologias e convicções, não em que terá mais chances de derrotar o seu arqui-inimigo. Eleição não é futebol nem reality show. Eleição é o futuro de sua vida.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.