O número de pessoas com 60 anos ou mais que continuam trabalhando em Franca quase dobrou na última década. Em 2006, o total de idosos no mercado de trabalho era de 7.329 pessoas. Dez anos depois, esse número saltou para 13.812, um aumento de 89%. O dado é do Ministério do Trabalho e tem como base a Rais (Relação Anual de Informações Sociai), documento preenchido pelas empresas com o perfil de seus funcionários.
A melhora da qualidade de vida, a baixa remuneração paga pela Previdência e a vontade de continuar se sentindo útil são alguns dos fatores que explicam esse crescimento. O trabalhador rural José Borges, de 65 anos, é o retrato dessa nova realidade. Depois de 38 anos trabalhando como tratorista em uma fazenda de café em Franca, José resolveu que era hora de descansar e se aposentou em 2015. Mas não conseguiu ficar muito tempo longe do mercado de trabalho e das roças de café.
Há oito meses, ele voltou à ativa. “Eu estava cansado de ficar parado. Sentindo falta de trabalhar mesmo. Sem contar que com o dinheiro da aposentadoria, o orçamento ficou bem apertado.” Ele agradeceu quando o ex-patrão o procurou para que o ajudasse novamente. “Ele me pediu para voltar. Disse que estava precisando de mim. Perguntou se podia ajudar. Claro que aceitei”.
Mesmo aposentado, José continua trabalhando de tratorista. Agora está ajudando na colheita do café. “Estou feliz e não penso mais em parar. Enquanto tiver saúde, vou continuar trabalhando”.
Entre os idosos
Além de quase dobrar o número de idosos atuando no mercado de trabalho, também cresceu o percentual que os trabalhadores com mais de 60 anos representam na população idosa. Em 2006, o total de pessoas com mais de 60 anos em Franca era de 31.098. Destas, os que continuavam na ativa representavam 23,5%. Uma década mais tarde, a população com mais de 60 anos em Franca cresceu para 45.740 e o percentual de trabalhadores empregados nesta faixa etária também subiu para 30%.
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