'Seremos muito duros nas ações de segurança pública'


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Dando sequência ao projeto de entrevistas com os principais candidatos ao governo do Estado, o convidado deste domingo será João Doria. Líder nas pesquisas de intenção de voto, o ex-prefeito falou ao Comércio sobre as propostas para governar o Estado. Confira abaixo o que pensa e propõe o candidato do PSDB.
 
Por que o eleitor deve votar no senhor?
Eu não sou da política, estou na política. Cumpri toda a minha vida no setor privado. Comecei modestamente ganhando um salário mínimo, aos 13 anos de idade, para ajudar minha mãe. Meu pai estava exilado fora do Brasil pelo golpe militar de 1964 e minha mãe, solitária, precisava de ajuda. Comecei como estagiário sem remuneração em uma agência de publicidade. Dois meses depois, consegui um emprego e fui crescendo, ganhando melhores posições e salários até me tornar executivo e empresário. Finalmente, vim para a vida pública e me elegi prefeito da cidade de São Paulo no primeiro turno. Foi uma vitória estrondosa que repercutiu em todo o Brasil. Agora, aceitei o desafio de disputar o governo para levar as boas práticas daquilo que fizemos em São Paulo para todo o Estado. Pretendo fazer uma gestão inovadora, transformadora, desburocratizante como fizemos na capital, geradora de empregos e de oportunidades e muito acolhedora para as pessoas mais pobres, como fizemos com o programa Vida Nova, que deu acolhimento a 10 mil pessoas em situação de rua e conseguimos gerar 2.462 empregos para estas pessoas em 115 empresas.
 
Qual é o compromisso do senhor com as pessoas que moram na região de Franca?
É o compromisso de apoiar a retomada da industrialização. Franca é um polo produtor de calçados importante, que perdeu um pouco de sua força nos últimos anos, vitimada pela recessão econômica. A recessão foi um lamentável presente do governo Dilma, do PT, que provocou 14 milhões de desempregados em todo o País, dos quais, 5 milhões em São Paulo. Temos que retomar os empregos, ativar a economia e incentivar a reindustrialização. Franca tem esta vocação na área industrial e tem, também o agronegócio que é muito importante. Faremos isto trazendo investimentos internacionais para o interior. A experiência que tive ao longo de 45 anos no setor privado me deu credibilidade junto a investidores nacionais e internacionais. Sei onde estão os investidores e os bancos e fundos de investimento. Sei o que eles desejam no Brasil e quais são as vocações naturais das regiões. Onde é colocado investimento privado, ocorre geração de emprego e competitividade. Quem deve gerar emprego não é o setor público e, sim, o setor privado. Cabe ao setor público não atrapalhar e desburocratizar. Até a gestão do Haddad, em São Paulo, este que quer disputar a presidência da República mentindo que é o Lula, demorava 126 dias para abrir uma empresa. Hoje, precisa de apenas quatro dias e de dentro da sua casa, sem papel nenhum. Tiramos completamente a burocracia, o tempo perdido e reduzimos a corrupção. Onde você coloca dificuldade, sempre há alguém para oferecer facilidade mediante pagamento. 
 
O setor calçadista de Franca vive momento delicado com empresas cortando a produção, fechando as portas ou mudando para outros Estados em busca de benefícios, o que aumentou o desemprego. Qual alternativa o senhor propõe para que as empresas voltem a produzir e contratar?
Primeiro, é tirar a burocracia. A burocracia mata as empresas, pois você perde tempo e dinheiro. A segunda medida é a desoneração, reduzir impostos gradualmente. Isso não é guerra fiscal. Sou contra a guerra fiscal, que é aquele sentimento expressado pela facilitação para determinados setores. Isso é ruim. Ninguém ganha, todos perdem. Quando desonera e diminui impostos, você motiva o setor produtivo, amplia a capacidade competitiva e diminui o preço dos produtos para o consumidor final. Se reduzirmos impostos e oferecer melhor competitividade, o setor calçadista não precisará ter fábricas em outros Estados. Não fará sentido ter fábricas longe do maior mercado de consumo do País. Vamos fazer uma política moderna, eficiente, rápida, transparente e digital.
 
Qual a proposta do senhor para conter o avanço da criminalidade?
Segurança pública é prioridade absoluta do nosso governo. Seremos muito duros nas ações de segurança pública. Vamos colocar a polícia na rua e os bandidos na cadeia. Como vamos fazer isto? Primeiro, valorizando os policiais e, gradualmente, melhorando seus salários. Vamos oferecer a eles condições adequadas de equipamento, armamento e de treinamentos. Hoje, temos no Estado cinco Baeps, que são os Batalhões Especiais da Polícia Militar. É a força tática, a elite da elite, é o padrão Rota e com a Rota ninguém brinca. Ou se rende, ou vai para o chão. Vamos levar estes batalhões para o interior a partir de 1º de janeiro. Também vamos ter os Deics regionais, que são os departamentos especializados em investigação criminal. As Polícias Militar e Civil vão atuar conjuntamente. Vamos agregar também as guardas municipais.Vamos equipar a polícia com equipamentos de inteligência, informática e com armas de última geração. Vamos reabrir delegacias que foram fechadas e colocar a polícia na rua para dar à população o sentimento de segurança que ela merece ter. É polícia na rua e bandidos na cadeia. 
 
A Santa Casa de Franca é o maior hospital público da região e sofre com a falta de recursos para manter o atendimento. O que pretende fazer para ajudar o hospital?
Temos um projeto chamado Santas Casas Sustentável. Primeiro, vamos apoiar com eficiência de gestão. Muitas Santas Casas sofrem com gestões que não são as mais adequadas. Depois, faremos a integração. Um exemplo será a compra compartilhada de insumos, medicamentos e equipamentos, o que permitirá a aquisição por preços menores. Assim, sobrará dinheiro para investir em outras áreas. O governo também ajudará com recursos.
 
Outro problema na área de Saúde é a falta de medicamento de alto custo na farmácia do Estado que funciona no DRS. O que pretende fazer para melhorar o fornecimento?
Quando assumimos a Prefeitura, tínhamos apenas 15% dos medicamentos disponíveis nas farmácias públicas municipais. Fizemos uma ação rápida junto aos laboratórios e fornecedores. Eu, pessoalmente, conduzi reuniões com os presidentes, pedi doações e fui atendido. Na sequência, conseguimos regularizar, com o projeto Remédio Rápido, a disponibilidade destes medicamentos. O Remédio Rápido é o que vamos levar como modelo de gestão para as prefeituras e compartilhar com os prefeitos o processo de aquisição, também de forma consorciada, para comprar mais barato e ter logística mais eficiente.
 
Entrevistado pelo ‘Comércio’ no último domingo, o governador Márcio França afirmou que o melhor que Doria e Skaf fazem pra vida deles é perder as eleições. Como avalia a declaração?
Quem está perdendo é ele, diga-se passagem. Há cinco meses e meio que eu lidero as pesquisas e que ele está lá em quarto lugar. A população não quer o Márcio França. Não sou eu que determino isto, nem o Paulo Skaf, é ele próprio. Não é conhecido e quando é conhecido, não é aprovado. Ao invés de desqualificar os que disputam, vamos apresentar propostas, como eu tenho feito, e decidir através do eleitor quem ele deseja para governar o Estado.
 
Qual mensagem gostaria de deixar para os eleitores?
Confiem e acreditem no Brasil. Mantenham suas esperanças e não desistam. No dia 7 de outubro, exerçam o direito de voto. Não votem em branco, não anulem e não viagem. A ausência do eleitor só ajuda os medíocres, os fracos e os bandidos. Pesquise, identifique o candidato que tem mais proximidade com os ideais e com aquilo que você deseja de um País mais honesto e avançado. O Brasil vai melhorar e São Paulo também a partir do voto de cada eleitor.

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