Bruxos celebram o 1º Dia Mundial da Deusa no Poliesportivo


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Grupo de bruxos se reuniu no Póli no dia 2 para comemorar o Dia Mundial da Deusa
Grupo de bruxos se reuniu no Póli no dia 2 para comemorar o Dia Mundial da Deusa
O som de tambores em um ritmo contagiante, a música com elementos de um povo antepassado, harmonizada com a modernidade de uma caixa de som, podia ser ouvida por quem chegasse perto. Heya, Heya, Heya ho, cante para a Mãe Terra. Yah, Yah, ha, ha, cante para o céu... 
 
Sentados em forma de círculo, ladeados por um altar com a imagem da Deusa e outros símbolos sagrados, um pequeno grupo de bruxos se reuniu no Poliesportivo, no último domingo, 2, para comemorar o primeiro Dia Mundial da Deusa realizado na cidade. O professor de francês e coordenador wiccaniano Nathan Ventura, de 23 anos, comandou os preparativos para o encontro.
 
“Este dia é comemorado em todo o mundo. Os pagãos realizam suas atividades em grupo ou solitariamente para agradecer a Deusa”, disse Ventura.
 
Nathan é praticante Wicca há sete anos e mudou-se de São Paulo para Franca há um ano. “Eu participava de alguns projetos desse tipo lá em São Paulo. Quando eu cheguei aqui em Franca, vi que não tinha, então comecei a coordenar (os encontros) aqui na cidade”, disse. 
 
A Wicca é uma religião neopagã que venera a natureza. Foi inspirada nas crenças dos povos antigos da Europa Ocidental e consiste em cultuar a Deusa Mãe - divindade feminina - e o Deus Cornífero - divindade masculina. A única lei aplicada aos praticantes é a Lei Tríplice, ou seja, tudo é permitido, desde que não prejudique ninguém. Tudo aquilo que o praticante fizer, voltará em triplo para ele, seja o bem ou seja o mal.
 
O babalorisá Luciano Ty Ogyian, o Pai Luciano, adepto do candomblé, reservou a tarde de domingo para participar do evento. “O candomblé e a bruxaria são religiões irmãs, uma com matriz africana e a outra europeia, mas ambas são pagãs e cultuam vários deuses”, disse Luciano.
 
A bancária aposentada Silvana Goulart, de 55 anos, é praticante do xamanismo e participou pela primeira vez de um encontro wiccaniano. “Pretendo voltar outras vezes, foi muito gratificante”, revelou.
 
A médica veterinária Débora Garcia, de 25 anos, é de família evangélica e se encontrou na religião pagã. “Aqui não tem dogmas, seguimos a Lei Tríplice, a nossa interação é com a natureza”, disse. “Meus pais respeitam eu ter seguido um caminho diferente do deles e isso é muito importante para mim”, completou.
 
Programação tem danças e troca de experiências
 
A programação contou danças, troca de experiências e palestras sobre o tema. O biólogo Lucas Paula, de 28 anos, ministrou uma delas - Como a Deusa Manifesta em Nossas Vidas, que falou sobre as faces da Deusa, representada pelas fases da lua. O antropólogo Marcelo Campbell Armino, 46, apresentou uma palestra histórica sobre o significado da iniciação na Antiguidade tardia.
 
O encerramento aconteceu no fim da tarde, junto ao pôr do sol, rodeado de pessoas que observavam distantes e curiosas tentando entender o que acontecia. 
 
Vestido com uma túnica de tons marrons, empunhando os instrumentos mágicos, como o bastão, que representa o elemento fogo, Nathan, junto aos participantes, voltaram-se aos quadrantes Norte, representado pela terra, Sul, pelo fogo, Leste, ar, e Oeste, pela água para agradecer a presença dos espíritos, guardiões e deuses de cada direção e destraçar o círculo mágico, que foi traçado no início da celebração.
 
Andando em círculos no sentido anti-horário, os participantes entoaram cânticos e finalizaram com abraços e bênçãos entre eles.
 
Os encontros acontecem no primeiro domingo de cada mês, sempre ao ar livre. O de outubro, acontecerá no dia 7, também no Poliesportivo, às 17h.

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