Quadrilha ataca banco em Bauru atrás de cofre milionário


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Pela manhã, o Centro da cidade parecia zona de guerra; policiais e moradores não se feriram - Foto: Bruno Freitas
Pela manhã, o Centro da cidade parecia zona de guerra; policiais e moradores não se feriram - Foto: Bruno Freitas
Reportagem de Marcus Libório com Cinthia Milanez, Márcia Duran, Heitor Carvalho e Bruno Freitas
 
 
Bauru foi sacudida, durante a madrugada de ontem, pelo ataque de uma quadrilha altamente especializada contra a Caixa Econômica Federal da quadra 7 da rua Gustavo Maciel, Centro. Uma agência bancária ao lado também teve danos por conta das explosões. A ação durou cerca de uma hora e resultou em uma intensa troca de tiros entre policiais militares e assaltantes. Os bandidos usaram até drone para monitorar a polícia. O que chamou a atenção é que, diferentemente de grande parte de ações assim, o bando não mirou caixas eletrônicos. Eles levaram um cofre.  
 
Estima-se que os criminosos tenham roubado ao menos R$ 10 milhões. Tal valor, porém, não foi confirmado pela Caixa. Para se ter uma ideia, somente a quantia recuperada pela polícia é de aproximadamente US$ 900 mil (equivalente a quase R$ 3,5 milhões). 
 
Todos os indicativos, até o momento, é de que seja uma quadrilha de fora, muito bem treinada e que, provavelmente já atuou em outros municípios.
 
A região central de Bauru se tornou um verdadeiro cenário de guerra com explosões e tiros de armamento pesado, gerando pânico entre moradores das imediações e de toda a cidade. A ocorrência gerou uma força-tarefa envolvendo as polícias Militar, Civil e Federal. Não houve registro de feridos, mas três viaturas da PM foram alvejadas. Nenhum suspeito havia sido localizado ou preso até o fechamento desta edição.
 
Foram encontrados, na área do assalto, cartuchos ponto 50 (capazes de derrubar aeronaves), ponto 40 e ponto 45, conforme o JC apurou. Estima-se que mais de 20 criminosos tenham participado da ação (sem contar os que ficaram na retaguarda), com pelo menos nove veículos, a maioria blindados. Na fuga, um homem foi sequestrado por integrantes da quadrilha e liberado a cerca de 80 quilômetros de Bauru. 
 
É provável que um dos criminosos tenha sido ferido na troca de tiros, uma vez que foram encontrados sinais de sangue no interior de dois veículos abandonados. Muitos dos automóveis usados no assalto foram apreendidos, sendo cinco em pontos distintos de Bauru (outro foi incendiado na frente da agência bancária) e três em Botucatu. 
 
Por conta dos ataques, as agências da Caixa e do Bradesco (esta localizada na Praça Rui Barbosa) permaneceram fechadas, ontem. Várias ruas ficaram interditadas por mais de dez horas e boa parte da região central ficou sem energia elétrica.
 
COMO FOI
O ataque teve início por volta das 2h45. Em nota, a PM informou que uma equipe realizava patrulhamento preventivo na região central da cidade, quando avistou  seis veículos de grande porte em comboio. 
 
O fato chamou atenção dos policiais que, ao tentarem efetuar a abordagem, próximo à agência alvo do grupo, foram recebidos por disparos de arma de fogo de grosso calibre, momento em que solicitaram apoio policial. 
 
Mesmo com o confronto, a quadrilha se dirigiu até a Caixa Econômica Federal. Imagens das câmeras de monitoramento mostram que os ladrões, armados de fuzis, invadiram a agência quebrando o vidro da porta de entrada. O vídeo mostra, ainda, o momento da explosão. Segundo a Polícia Federal informou em nota, havia dois cofres na unidade e os criminosos conseguiram fugir com o conteúdo de um deles. 
 
Durante a ação, ainda conforme a PM, várias viaturas, com policiais armados de fuzis, cercaram o local, sendo recebidos por rajadas de tiros, ocorrendo novos confrontos. Os criminosos também atiraram para cima. Está sendo investigado, inclusive, se eles teriam subido em marquises para efetuar tiros de cima para baixo contra as equipes.
 
Conforme o JC apurou, várias quadrilhas agem desta forma: eles marcam um perímetro disparando tiros de advertência, para espantar a população e evitar que a polícia chegue. O bando ainda incendiou um dos veículos para atrapalhar a ação policial. Há relatos, ainda, de drones usados pelos ladrões para monitorar a área. Entretanto, ainda não se sabe se são de particulares ou do grupo, uma vez que os equipamentos não foram recuperados para investigação. 
 
FUGA
Após cerca de uma hora de ação criminosa, o grupo deixou o Centro e iniciou o percurso de fuga, seguindo em comboio, assim como chegou em Bauru. No entroncamento da avenida Nuno de Assis com a rodovia Marechal Rondon, os criminosos foram surpreendidos por outras equipes da PM.  
 
Houve, novamente, intenso tiroteio. O primeiro dos sete veículos apresentou problemas mecânicos, forçando os ocupantes a desembarcarem e entrarem no carro de trás. Na sequência, os ladrões seguiram pela rodovia e chegaram a trafegar na contramão da Nações Unidas. O grupo se dividiu e, aos poucos, os automóveis foram sendo abandonados.

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