40 centavos de indignação


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Em época de dinheiro curto, qualquer ameaça de novo arrocho no já desgastado poder de compra do cidadão é motivo de preocupação. Quando a ameaça se concretiza, a revolta é inevitável. É este o sentimento que tomou os francanos no meio da tarde dessa quarta-feira, 5 de setembro, ao se depararem com um aumento de até 40 centavos no litro dos combustíveis nas bombas dos postos da cidade. A culpa, dizem os analistas nacionais - o sindicato daqui se calou -, é da disparada da cotação do dólar, que influencia diretamente o valor dos derivados de petróleo. O etanol sobe também, porque é transportado por caminhões, movidos a óleo diesel. É uma cadeia justificável, mas injusta, de aumentos que atinge diretamente o bolso dos brasileiros. Se o combustível sobe, pode ter certeza que alimentos, bebidas e afins também sofrerão reajuste em seus preços. Mais uma vez quem paga são as vítimas de governos incompetentes e, em grande parte, corruptos, que administram e administraram o país nos últimos anos e levaram a economia nacional a uma recessão histórica, cujas consequências insistem em perturbar patrões, empregados e desempregados todos os dias.
 
Na última semana de julho, os francanos - pelo menos os que usam etanol em seus veículos - despertaram de uma espécie de “país das maravilhas”. Até então, durante cerca de um mês, as “alices” francanas pagavam pelo litro do combustível R$ 1,99 - valor comum no período pré-crise, de anos atrás. Mas o final do primeiro mês do segundo semestre de 2018 reservava uma disparada de R$ 0,60 no litro do combustível verde. Pouco mais de 40 dias depois, nova bomba: aumento de mais R$ 0,30. Vendido, agora, a R$ 2,89 em grande parte dos postos, o etanol se aproxime do preço recorde em Franca, quando era comercializado a R$ 2,99. Faltam apenas R$ 0,10.
 
Já para os consumidores francanos que dependem apenas da gasolina, a situação é bem mais dramática. Em julho, o combustível derivado do petróleo subiu R$ 0,20, de R$ 4,19 a R$ 4,39. Nessa quarta-feira, a disparada foi o dobro: R$ 0,40. Os postos passaram a vender a gasolina por R$ 4,79 o litro. Tirando oportunistas, que durante a greve dos caminhoneiros, em maio, se valeram da escassez para capitalizar, o valor deste 5 de setembro é o maior já cobrado pela gasolina na história da cidade.
 
A política de preços de combustíveis fósseis adotada pela Petrobras, atrelada à cotação internacional do petróleo e do dólar, que desencadeou a greve dos caminhoneiros, é a culpada pelos altos preços. O Brasil é autossuficiente na produção do petróleo. Mas a estatal possui a exclusividade em alguns casos e preferência em outros de explorá-lo. Assim, a população fica refém das políticas da empresa, que serviu nos últimos anos apenas para alimentar esquemas de corrupção liderados por seus ex-diretores e por parlamentares e ex-governantes brasileiros. 

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