Até tu, Meirelles?


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CANDIDATO DO MDB, DE MICHEL TEMER, ESCONDE O PRESIDENTE E MOSTRA LULA
Se há um personagem que domina a propaganda eleitoral de rádio e televisão neste ano, ele responde pelo nome de Luiz Inácio Lula da Silva. Mesmo proibido de participar como candidato à presidência da República das peças publicitárias do PT, após o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) barrar sua candidatura, com base na Lei da Ficha Limpa, o ex-presidente figurou como concorrente não declarado, mas de fato, nos programas de seu partido. A Justiça Eleitoral agiu para tentar impedir mais esta burla dos petistas, com imposição de pesadas multas. Apesar do impedimento de militar por si mesmo, o líder da esquerda pede voto para candidatos a deputado estadual, deputado federal, senador, governador, para Fernando Haddad - o vice na chapa petista - e aparece, inclusive, em peças de opositores. Lula é usado indiretamente como cabo eleitoral pelo candidato do MDB ao Palácio do Planalto. “Chamado para consertar” o país em diferentes ocasiões, como prega sua propaganda, Henrique Meirelles cita nominalmente o ex-presidente, já o seu colega de partido, o Temer, aparece como sujeito indeterminado. 
 
Com a liberação pelo TSE da propaganda do PT no horário eleitoral gratuito, mesmo sem um candidato a presidente até o dia 11 deste mês, o partido pretendia estender ao máximo a exposição de Lula como candidato para, depois, tentar consolidar a transferência de votos a Haddad. Dia 11 é o prazo final para o partido definir a troca do cabeça de chapa que, como todos sabem, será o ex-prefeito de São Paulo. Com a ameaça de multa, a estratégia teve de ser mudada. Já no programa dessa terça-feira, mesmo continuando a defender a candidatura de Lula, o partido começou a sinalizar a substituição do ex-presidente por Haddad. O jingle da campanha foi alterado. Trecho que antes dizia “chama que o homem dá jeito”, foi mudado para “chama que o 13 dá jeito” e “Lula é Haddad, é o povo”.
 
Curiosamente, o mesmo verbo é usado na campanha de Henrique Meirelles. Ele se intitula como “o cara que os governos ‘chamam’ para resolver os problemas que eles não conseguem resolver”. Na propaganda, o ex-ministro da Fazenda cita sua carreira na iniciativa privada e explora a imagem ao lado do ex-presidente Lula. “Quem primeiro chamou foi Lula”, diz o candidato, relembrando a época em que comandou o Banco Central durante os governos do petista. “O Brasil estava em crise e eu assumi a economia e criei 10 milhões de empregos”, completa em referência a uma das principais bandeiras de Lula sobre o mercado de trabalho. Mas quando descreve o período em que trabalhou para o atual presidente, de maio de 2016 a abril deste ano, Meirelles não cita Temer, e diz apenas: “me chamaram para consertar os erros da Dilma (Rousseff)”.
 
A onipresença de Lula contrasta a ausência de Temer. E a propaganda do partido do presidente é prova de que os candidatos preferem ter suas imagens ligadas a um preso à de um político que lidera todos os recordes de rejeição. 

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