A entrevista do publicitário Gerson de Paula, candidato a deputado federal pelo PV, realizada ontem, continua repercutindo em Franca. Além de autoridades e órgãos publicando notas de repúdio, os sindicatos da cidade também se manifestaram contra o político.
Durante a Sabatina do Comércio, o candidato criticou sapateiros e servidores públicos. Para ele, a indústria calçadista, uma das principais fontes de renda de milhares de famílias francanas, é um atraso na cidade. “Faz cem anos que Franca está nesta mesma tecla. Continua na cidade, sim, a indústria do sapato, mas precisamos diversificar a indústria. Agora, como fazer isso com o sapateiro que fica sentado no chão da fábrica o dia inteiro? Não sabe ler, não sabe escrever.”
O presidente do Sindicato dos Sapateiros, Sebastião Ronaldo, se mostrou indignado com a postura do candidato. “Repudiamos totalmente todas as falas dele sobre mulheres e sobre nossa categoria. Foi de uma falta de respeito sem tamanho e não nos representa. Os sapateiros sabem sim ler e escrever. Esse cidadão tem de ser processado”, disse.
Já o Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca), por meio de seu presidente, José Carlos Brigagão, optou por uma declaração mais contida. “Em respeito ao segmento ‘calçadista’ que foi a principal base de sustentação dos últimos 200 anos e ainda é uma das principais fontes de receita e emprego da cidade, nos reservamos ao direito de manter o silêncio”.
Os servidores municipais também foram criticados por Gerson. Segundo o publicitário, há gente “encostada” na Prefeitura de Franca. “Você vai lá, tem aquele ranço de emprego, gente encostada, aqueles caras que cheiram mal, cheiram à morte”, disse. O presidente do Sindicato dos Servidores, Fernando Nascimento, que é filiado ao PV, reclamou. “Ficamos atordoados com essas afirmações. Nós lutamos para cumprir nosso dever de atender a população e nos deparamos com isso. É uma declaração inaceitável e incompatível para quem almeja um cargo público”, disse.
Ainda segundo Fernando, a afirmação feita pelo candidato demonstrou “preconceito e insensibilidade” com toda a classe de servidores. Questionado sobre um posicionamento do partido acerca dos fatos, ele disse que ainda devem se reunir para ver o que será feito.
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