Grupos e lideranças reagem a Gerson: 'Insensível, estúpido'


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Durante a manhã e início da tarde desta terça-feira, 4, órgãos de classe, sindicatos e lideranças locais se manifestaram sobre as declarações do candidato a deputado federal Gerson de Paula (PV), em sabatina na rádio Difusora, na segunda-feira. 
 
Em nota publicada no Facebook, a Comissão Especial de Combate à Violência Contra a Mulher da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de Franca repudiou as falas do candidato. “Seja lá qual o motivo que levam a essas diversas formas de violência contra a mulher, nenhum deles justifica atos bárbaros que ocorrem no nosso País e que endossam os índices alarmantes de violência contra a mulher. Por fim, reiteramos nosso compromisso em lutar pela igualdade e contra a disseminação de qualquer tipo de violência, seja ela, física, psicológica, sexual, moral, patrimonial e virtual, dentre outras.”
 
Mais cedo, vereadores se manifestaram com indignação, durante sessão na Câmara Municipal. “O candidato foi muito infeliz e demonstrou falta de compostura”, disse Della Motta (Podemos). Corrêa Neves Júnior (PSD), que conduz as entrevistas com os candidatos na Sabatina do Comércio, pediu cautela. “Temos que tomar muito cuidado com os discursos que promovam a divisão, o ódio e a violência.” Cristina Vitorino (PRB), única mulher com uma cadeira na Câmara, disse que as mulheres “têm liberdade para fazer o que quiserem” “Não vamos aceitar o que esses babacas ficam falando”, disse ela. Já Marco Garcia (PPS) classificou as palavras de Gerson como “asneiras” e afirmou que o candidato perdeu votos.
 
O mesmo sentimento de revolta foi demonstrado pelas candidatas a deputada estadual delegada Graciela Ambrósio (PR) e Ingrid Relvão (Rede). A policial civil classificou o publicitário como “machista, deplorável, insano, estúpido e ignorante”. “Um irresponsável aproveitando um espaço importante da mídia para falar uma asneira dessas. Pessoas desequilibradas e sem discernimento como o senhor praticam um delito previsto no Código Penal: apologia ao crime. E, parafraseando o que o senhor mesmo disse: cadeia para vocês!”, vociferou Graciela, que é delegada da DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) há mais de 20 anos.
 
Ingrid, que publicou um vídeo e textos nas redes sociais, também repercutiu as falas do candidato. “A violência contra a mulher é algo sério e precisa ser tratada com a importância que merece, sem achismos, machismos e preconceitos. Não podemos aceitar.”
 
As outras candidatas mulheres, Fátima das Fraldas (PHS) e Cristiany Castro (PR), ainda não se manifestaram sobre o assunto.
 
O Conselho Municipal da Condição Feminina de Franca repudiou a atitude de Gerson e, em nota, apresentou dados sobre a violência contra a mulher para ilustrar sua revolta. Confira a nota na íntegra logo abaixo:
 
“Gostaríamos de enfatizar que, somente em 2017, no Brasil, 193 mil mulheres registraram queixa por violência doméstica, uma média de 530 mulheres que acionam a lei Maria da Penha todos os dias, ou seja, 22 por hora, de acordo com dados do 12º Anuário Brasileiro da Segurança Pública. Em nossa cidade, Franca, pelo menos uma mulher é agredida por dia.
 
O candidato também deixou claro sua opinião sobre o estupro: “tem mulher que pede para ser estuprada. Você vai nestas baladas e a mulher está despida, seminua. Não justifica em hipótese alguma, mas precisamos mudar a cultura das pessoas, inclusive, das mulheres. As pessoas têm que ser respeitar mutuamente. Se teve a relação sexual, o cara não se preveniu, não usou a camisinha, a mulher não teve a cabeça, abriu as pernas e teve a concepção do filho, vai ter que ter o ônus de dar à luz e honrar a criança”.
 
Destacamos, sobre esse assunto, que o Brasil registrou uma média de 164 estupros por dia em 2017, ou seja, mais 60 mil casos, sendo que, no máximo, 10% deles são comunicados à polícia. A roupa usada por essas vítimas e os locais que elas frequentam não foram e jamais serão motivos para um crime como esse.
 
Sendo assim nós, conselheiras do CMCF, repudiamos o fato de que um cidadão francano, que se coloca à disposição do processo político eleitoral como candidato a um cargo tão importante como o de Deputado Federal, seja tão desinformado e insensível em relação às dificuldades enfrentadas diariamente pela mulher brasileira e, principalmente, francana.”

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