A promoção da ignorância


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Onde FALTA TUDO, o conhecimento - que seria a solução - vira ITEm DE LUXO
A comunidade científica nacional e grande parte da população do Brasil e do mundo está de luto, após o incêndio que consumiu o Museu Nacional do Rio de Janeiro. As chamas varreram 200 anos de história ao queimar milhões de peças que contavam parte da vida humana e animal na Terra. O fogo da noite do último domingo é reflexo do descaso dos governantes brasileiros com a pesquisa científica, com a educação, com a cultura de seu povo. Os cortes em pesquisas são alvos de protestos dos cientistas brasileiros desde o ano passado. O estado temerário do prédio, que foi residência de um rei e de dois imperadores e que abrigava o museu, suas peças e seus estudos, foi denunciado por diversas vezes pela imprensa nacional. Mas nada foi capaz de sensibilizar as autoridades brasileiras. Em vez de verbas, o que se conseguiu foi um projeto de financiamento, através do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), mas não deu tempo. Sofrendo constantes cortes no repasse de verbas, o museu sucumbiu às chamas. E o trágico episódio em plena campanha eleitoral, pelo menos na reação imediata, serviu apenas de palanque político para os presidenciáveis.
 
“A catástrofe equivale a uma lobotomia na memória brasileira. O acervo da Quinta da Boa Vista contém objetos que ajudaram a definir a identidade nacional, e que agora estão virando cinza. Infelizmente, dado o estado de penúria financeira da UFRJ e das demais universidades públicas nos últimos três anos, esta era uma tragédia anunciada”, disse Marina Silva, candidata pela Rede. “O incêndio agride a identidade nacional e entristece todo o país. Diante da perda irreparável do maior acervo museológico brasileiro, devemos resgatar o compromisso de zelar permanentemente, com consciência e investimento, pela preservação do patrimônio e da memória do país”, defendeu Geraldo Alckmin (PSDB). “O acervo mais importante do Brasil queimou porque eles liberaram até abril R$ 80 mil de um orçamento de R$ 520 mil. E aí quando os bombeiros chegaram, os hidrantes estavam secos. São uns canalhas”, sentenciou Ciro Gomes (PDT). “Tem recursos sobrando. O que falta é adequadamente investir recursos nessa área, o que não vem sendo feito”, afirmou Jair Bolsonaro (PSL).
 
São frases de efeito, em sua maioria, e vazias ao mesmo tempo. Quais propostas têm os candidatos para a preservação e promoção da ciência e da cultura no Brasil, os eleitores não sabem. Num país em que falta educação, falta emprego, falta segurança, falta dignidade a seu povo, os governantes tratam a história, a ciência e a cultura como itens de luxo. E, dessa forma, se valem da ignorância de seus governados, para privá-los do bem mais precioso que um cidadão e uma Nação podem ter: o conhecimento.

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