Aqui do lado de fora, temos a impressão de que a Fundação Casa é como a maioria dos presídios, funcionando como um depósito de pessoas condenadas a passar algum tempo de privação da liberdade, sem ter praticamente nada o que fazer.
Fui convidado por coordenadores da instituição, a fazer uma visita a todas as suas dependências e conhecer os trabalhos de ressocialização dos internos. Fui recebido e acompanhado pela diretora Eloaine de Souza e o Sérgio Ferreira, informando que o trabalho é feito em conjunto pelo Estado, município e Pastoral da Infância e Juventude.
Não há excesso de internos, pelo menos por enquanto. Eles iniciam as atividades às 5h30, passando a manhã recebendo aulas com professores de uma escola da rede, que confessam ser respeitados ali, até mais do que no próprio estabelecimento de ensino a que pertencem.
O período da tarde é destinado a várias atividades, incluindo aulas de informática, violão, culinária, educação física, entre outras, que vão até o horário do banho e do jantar. Recolhem-se às 21 horas.
Em resumo, recebem as necessárias orientações, observando disciplina semelhante a de uma escola militar. O problema, dizem os coordenadores, é quando eles retornam para suas casas, e nem sempre encontram a necessária estrutura familiar para mudar de vida, além da falta de oportunidade de trabalho.
Quando recebem o importante apoio, muitos se recuperam, como o caso até de um deles que foi aprovado no vestibular e já frequenta a faculdade. Há planos de instalação de cursos profissionalizantes, para saírem de lá com grande chance de conseguir se manter, sem ser tentado a retornar às drogas e demais infrações costumeiras.
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