Número de suicídios em Franca é o maior da última década


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Rodolfo Moraes, Secretário da Saúde:
Rodolfo Moraes, Secretário da Saúde:
O número de pessoas que tiram a própria vida em Franca é o maior registrado nos últimos dez anos e não para de crescer. Em 2017, 23 pessoas cometeram suicídio. Um número 30% maior que o registrado no ano anterior. Para o secretário municipal de Saúde, Rodolfo Moraes, esse índice preocupa. “O suicídio hoje já é um problema de saúde pública em Franca.” Em 2006, 30 pessoas tiraram suas vidas na cidade.
 
Para Rodolfo, a situação é ainda mais grave do que mostram os números oficiais. Ele, que é médico e atua nas UTI (Unidades de Terapia Intensiva) dos três hospitais da cidade, diz que as estatísticas estão subestimadas. “O que nós, médicos, vivemos no dia-a-dia das UTIs é uma realidade muito mais assustadora. Acredito que o número real seja o triplo do registrado oficialmente.”
 
Segundo ele, o suicídio ainda é um tabu. “Muitas famílias preferem não notificar as autoridades a respeito. Envergonhadas, acabam dizendo que houve um acidente ou que não sabem o que aconteceu.”
 
Um estudo feito pelas alunas do curso de Medicina da Unifran Bárbara de Lima Lacerda e Camila Marques Baesse, supervisionado pelos professores Homero Antônio Rosa Júnior e Márcia S. Zanovello Duarte, analisou os registros de suicídio na cidade nos últimos dez anos. O levantamento mostrou que a maioria das vítimas de suicídio na cidade é do sexo masculino, etnia branca, solteiro, na faixa etária de 30 a 49 anos e de baixa escolaridade.
 
Outra característica que é que 90% das vítimas apresentam algum tipo de transtorno mental. “A depressão é o mais comum. Mas também há casos de dependência química e de álcool, transtorno bipolar e esquizofrenia”, disse o secretário municipal de Saúde. 
 
Outro dado que vem chamando a atenção é o crescimento das ocorrências de suicídio e tentativa de suicídio entre os jovens com menos de 20 anos. “Nos últimos três anos, esse é um fato que nos preocupa bastante. Há muitos casos de jovens com menos de 20 anos que estão tentando tirar a própria vida. Isso nos assusta.”
 
Para Rodolfo, a internet tem influência direta nestes números. “Hoje é muito simples um adolescente conseguir orientação e apoio para tirar a própria vida simplesmente pesquisando na rede. Todos nós precisamos estar muito atentos.”
 
Alerta
Para tentar reverter essa realidade, a Secretaria Municipal de Saúde começou nesse sábado a campanha Setembro Amarelo. A ideia é chamar a atenção das pessoas para o problema e acabar com os tabus. “O que percebemos é que ninguém quer falar sobre suicídio, como se não existisse. Temos que vencer isso. É preciso, sim, falar a respeito. Falar do jeito correto. Com informações que podem ajudar as pessoas a reconhecer quem têm problemas e a buscar ajuda.”
 
Na campanha, a Secretaria está distribuindo panfletos que alertam para os sinais de tendência ao suicídio. Entre eles, o isolamento da sociedade, ameaças de suicídio, uso ou abuso de álcool e drogas, mudanças no comportamento, tristeza e abandono dos autocuidados com a higiene pessoal. (Leia mais ao lado)

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