'O melhor que Doria e Skaf fazem pra vida deles é perder'


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O governador Márcio França veio pedir votos em Franca ontem. Ele se reuniu com empresários na Acif e fez caminhada nos calçadões do Centro. O primeiro compromisso do candidato à reeleição foi uma visita à sede do jornal Comércio da Franca.
Terceiro colocado nas pesquisas de intenção de votos na corrida pelo Palácio dos Bandeirantes, França se apresentou como a melhor opção para continuar comandando o Estado. As promessas de campanha foram entremeadas por ataques a João Doria (PSDB) e Paulo Skaf (MDB), que lideram a preferência dos eleitores. 
 
Qual será o desafio na campanha?
Tenho mais de 30 anos de vida pública. Fui prefeito, deputado, secretário de Estado e vice-governador. Portanto, não estou de gaiato no navio. Me sinto tranquilo para fazer o gerenciamento do um Estado que é um País. Estou há quatro meses como governador e o tempo é pequeno para as pessoas conhecerem as diferenças. Muita gente ainda não me conhece. Em média, 20% da população de São Paulo sabem que eu existo. Com o início da propaganda política, esta situação vai mudar completamente. Quanto mais o Doria e o Skaf ficarem conhecidos, mais votos eles vão perder. Eles têm que desaparecer do vídeo. Na terça-feira, tinha debate nas rádios Globo e CBN e eles fugiram. Não querem debater comigo. Se tiver debate, eles vão perder. Eles estão com medo, pois são despreparados. São pessoas do bem, mas não sabem o que falam. Não têm noção do que é governo.
 
Qual avaliação o senhor faz da decisão do TSE que barrou a candidatura de Lula à presidência da República?
Era esperado que a decisão fosse tomada. Não via nenhuma chance de o Lula ser candidato preso. Já participei de muitas eleições e as pessoas sempre perguntam minha opinião. Nas últimas 19, fui acertando o resultado. Sempre tenho dito que uma vaga no segundo turno é do PT. Todos os outros candidatos estão brigando pela segunda vaga. Os eleitores aqui da região não têm esta percepção e não encontram os votos do PT, mas o Brasil tem um traço no meio. Acima da Bahia, tudo é exatamente o oposto daqui. Os votos de cima levarão o candidato do Lula ao segundo turno. Se o Ciro Gomes tivesse tempo de televisão, ele seria competitivo, mas não será. Então, teremos um candidato do PT contra Bolsonaro ou Alckmin. Esta vai ser a disputa para ver quem vai para a segunda vaga. Se for o Alckmin, o chance dele será maior. O Alckmin não está de aventura. É experiente, idôneo e preparado. 
Ele sobreviveu pela resiliência. O João Doria tentou tirar a vaga dele até o final. Como não conseguiu, agora tem o prêmio de consolação, que é o governo de São Paulo.

O setor calçadista de Franca está vivendo o seu pior momento desde 2002. A produção caiu, há um grande número de desempregados e muitas empresas estão se mudando para outros estados em busca de incentivos. Caso seja reeleito, o que poderá fazer para ajudar a reverter este quadro?
Voltar a gerar empregos no Estado será uma das principais tarefas. Por uma questão de consciência ao longo dos anos, o Estado de São Paulo nunca aceitou entrar em guerra fiscal. Os tucanos estavam certos, pois o Brasil inteiro quebrou. No Rio de Janeiro, deram isenções tributárias, as empresas não pagam mais nada, e quebraram o Estado junto. Hoje, estão pagando o 13º salário do Rio do ano passado. Isto aconteceu em vários Estados. A guerra fiscal não é bom negócio para ninguém, entretanto, não podemos ficar assistindo às empresas de São Paulo serem deslocadas para outros lugares, especialmente, com truques. Acabamos de pegar uma fraude da área farmacêutica de R$ 1 bilhão. Eles não transferem de verdade a indústria. Levam o galpão, vão com a nota fiscal para lá e fingem que fizeram lá e trazem de volta para cá. Isto, acontece em várias áreas. Nossa fiscalização tem que atuar com rigor. 
 
O  que pode ser feito para atenuar essa situação?
A primeira tarefa do próximo presidente da República será substituir este formato do ICMS pelo IVA (Imposto de Valor Agregado). O sistema que tem hoje é perverso. São Paulo tem que ser o indutor e buscar alternativas. Nada impede que seja concedido crédito momentâneo mais barato para as indústrias reagirem. É possível fazer políticas públicas e temporárias para salvar indústrias. Se podemos emprestar dinheiro para montadoras de veículos se instalar em São Paulo, por que não podemos financiar o maquinário das empresas de Franca e região? Isto pode ser feito. Não fiz antes, pois estou no governo há apenas quatro meses e, neste período eleitoral, muita coisa não pode ser feita.Também é preciso mexer em alíquotas que permitam que o produto seja barateado. (Na reunião que teve com empresários na Acif após esta entrevista, o governador se comprometeu a receber empresários de Franca nesta segunda-feira para avaliar o problema do setor calçadista e buscarem soluções conjuntas).
 
O candidato do PSDB, João Doria, promete enxugar o Estado para, em seguida, reduzir impostos. É possível cumprir a promessa?
No futuro, terá que haver redução de impostos injustos. O ICMS é um deles. Como governador, pago pelo quilo de arroz o mesmo padrão de imposto pago por alguém que ganha um salário mínimo. Isto é injusto. Os impostos devem ser progressivos: quem ganha mais, paga mais. Agora, no João Doria, não dá para acreditar. Por 43 vezes, ele falou: “Serei o melhor prefeito de São Paulo e vou ficar no cargo até o final. Vocês têm minha palavra de honra”. Ele, não cumpriu. Tudo o que ele falar, pode até ser uma boa ideia, mas não dá para acreditar.
 
O senhor sempre esteve ao lado do Alckmin e era natural que, agora, recebesse o apoio dele. Isto não foi possível por conta da candidatura de João Doria. Doeu muito a inesperada concorrência?
Não vejo problema por ele ser candidato. Acho bonita a disputa, as pessoas vão analisar e escolher. Faz parte do jogo e está correto. O problema foi eu ter votado nele, ter me esforçado para ele se eleger e, assim como os outros, me frustrar quando ele renunciou com tão pouco tempo como prefeito. Ele não renunciou para ser governador. Renunciou para tomar o lugar do Alckmin na disputa pela presidência, mas não conseguiu. 
 
Qual o compromisso do senhor para o setor de Saúde?
Aqui na região há dois AMEs, que é um dos melhores serviços públicos que temos. Vamos abrir os AMEs nos finais de semana para compensar a fila de espera. Há um milhão de pessoas esperando consultas e 300 mil esperando exames. Em seis meses, vamos zerar as filas. O investimento será de R$ 130 milhões. 
 
O que propõe para a Educação?
São três itens principais: precisamos zerar a fila de espera por vagas em creches. Não é possível ter criança fora de creche em São Paulo. Também não é possível ter criança portadora de deficiência sem vaga. Vamos valorizar o professor e implantar salas modernas. A partir do segundo ano do Ensino Médio, o aluno vai ter a opção de também fazer um curso técnico.
 
Qual mensagem gostaria de deixar para os eleitores?
Sou servidor público. Fui do Judiciário, do Legislativo e do Executivo. Tenho uma vida pública de mais de 30 anos e não respondo a processo criminal. Amo o que faço, faço por vocação. Estou disposto a fazer um governo com todas qualidades que já foi feito, mas do meu jeito. O Estado pode experimentar uma coisa nova, que signifique uma mudança com segurança. Não podemos arriscar por vaidade, isto não dá certo. O melhor que João Doria e Paulo Skaf fazem para a vida deles é perder. Os dois são meus amigos, mas, se eles perderem, não arrumam encrenca, nem para eles, nem para nós, que somos paulistas.

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