Guerra fiscal contribui para o cenário, dizem empresários


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Grandes fábricas transferiram linhas de produção para o NE e para Estados como Minas, onde o ICMS é menor que em SP
Grandes fábricas transferiram linhas de produção para o NE e para Estados como Minas, onde o ICMS é menor que em SP
As empresas alegam que a guerra fiscal com outros estados e a falta de políticas para o setor contribuem para o cenário.
 
Grandes fábricas, como a Democrata -que produzem 12 mil pares diários-, transferiram linhas de produção para o Nordeste e para Estados como Minas Gerais, onde o ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) da atividade é de 2%, ante os 7% de São Paulo.
 
O piso salarial de Franca é de R$ 1.148, enquanto no Nordeste as vagas pagam menos de R$ 1.000. Mas há outras diferenças, como subsídio de energia, impostos e imóvel para instalação.
 
Com isso, fábricas da cidade acumulam demissões de trabalhadores e lamentam a perda da competitividade.
 
“Este ano já perdemos, já era. Sem uma reforma tributária sofreremos ainda mais. Além da concorrência interna, recebemos um ministro do Paraguai que veio aqui oferecer condições tentadoras”, afirmou o presidente do Sindifranca (sindicato das indústrias), José Carlos Brigagão do Couto.
 
Na empresa Shelter, que está na segunda geração de calçadistas, desde o início do ano o quadro de empregados foi reduzido de 190 para 160, mas o cenário poderia ser ainda pior, na avaliação de Carlo Braganholo Leal, diretor financeiro da empresa, e seu irmão Marcel, responsável pela área industrial.
 
“O Bruno [também irmão] vai a feiras nos EUA e Europa todos os anos, busca tendências e passamos a diversificar a produção, com outros tipos de couros e cores, além de fazermos dois lançamentos por ano, em vez de um. Não fosse isso, poderíamos ter perdido cem [empregados], pois o cenário é complicado”, disse Marcel.
 
A empresa, que até março produzia 1.600 pares por dia, atualmente faz 1.200. A diversificação inclui produzir calçados menos tradicionais e mais vanguardistas. “Se fizéssemos desde sempre só o convencional possivelmente teríamos fechado”, disse Marcel.
 
Já a empresa de Téti Brigagão, diretor das marcas Sândalo/Clave de Fá, chegou a produzir 600 pares de calçados por dia, mas agora tem feito 400, dos quais 20% para exportação.
 
“Não tem como tapar o sol com peneira. Estaríamos nadando em braçadas maiores se a economia ajudasse”, disse ele, cuja família foi uma das primeiras a exportar para os EUA, nos anos 70.
 
A Sândalo enfrenta há anos uma recuperação judicial e não tem produção própria, mas mantém a marca com duas empresas licenciadas.
 
Além de reduzir a produção, a fábrica de Téti não consegue ter o quadro ideal de funcionários. Os cem empregados desejados só são alcançados de dezembro a maio, quando há mais pedidos. No resto do ano, o total cai para 80 funcionários.
 
“Poderíamos perpetuar esse quadro de cem, mas a crise gera essa ausência de crescimento.”
 
Psicóloga e coordenadora de RH da Agiliza, empresa que atua no recrutamento e seleção de mão de obra em Franca, Rosângela Baldini Silva disse que em 19 anos na atividade nunca encontrou um cenário tão ruim para quem busca empregos nas indústrias.
 
“Recebemos de 60 a 70 currículos por dia, dos quais ao menos 80% são de pessoas buscando vaga no setor. Mas não há.”Muitos têm migrado para a construção civil.

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