Em momentos de crise, venda de sapatos masculinos cai


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Além dos problemas setoriais, as indústrias de Franca sofrem com um agravante. A cidade é historicamente um polo especializado na produção de calçados masculinos adultos, público que consome menos que mulheres e crianças.
 
Com isso, numa crise, ele não compra sapatos novos, na avaliação de fabricantes locais.
 
Somente em 2017 a cidade deixou de produzir 13 milhões de pares de sapatos, segundo o Sindifranca -conforme a capacidade instalada.
 
“Embora a previsão seja de fabricar 28 milhões de pares neste ano, não temos como garantir que conseguiremos”, disse Couto.
 
Dados obtidos pelo Sindifranca com uma consultoria mostram que um trabalhador calçadista custa por hora US$ 0,95 na Índia, US$ 1,66 no Vietnã, US$ 2,58 na China e US$ 4,05 no Brasil.
 
“São os encargos que pesam. Sem eles, conseguiríamos concorrer. Não é a primeira recessão, mas essa parece uma somatória de todas as crises. Sem reforma, não sei o que pode se seguir.”
 
Presidente do sindicato dos sapateiros, Sebastião Ronaldo de Oliveira disse que há empresas que se aproveitam da crise para cortar gastos e que o total de empregos cai também devido à automação.
 
“Sempre cai a quantidade de trabalhadores, mas o número de pares de sapato não segue a mesma proporção”, disse.
 
Desde março os sindicatos dos empregados e o patronal tentam fechar dissídio salarial, mas as empresas oferecem a correção inflacionária de 1,81%, segundo o IPC, e o sindicato não aceita. Se desempregados como Carmem e Alexandre não têm tido sucesso em sua busca diária por uma vaga, nem todos os casos são de final infeliz na economia local. Depois de ficar sem emprego por seis meses, Everaldo de Souza obteve há dois meses uma vaga no setor de expedição de uma empresa.
 
“Estou com 51 anos e desde os 13 trabalho com calçados, é o que sei fazer, mas cada vez está mais difícil, sem perspectiva. Que eu consiga manter esse emprego por muitos anos”, disse.

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