Indústria reduz produção e quadro de funcionários


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Dos 39,5 mi de pares fabricados em 2013, a previsão é que neste ano sejam feitos apenas 28 mi
Dos 39,5 mi de pares fabricados em 2013, a previsão é que neste ano sejam feitos apenas 28 mi
Quinta-feira (30), 12h30. Desempregada há três anos, Carmem Aparecida Cantarino, 52, sai de casa mais uma vez em busca de um trabalho. Nem sabe mais quantos currículos já distribuiu -mais de uma dezena por dia-, mas apesar da falta de esperança sonha em voltar a atuar em uma indústria calçadista em Franca.
 
Denominada capital nacional do calçado, Franca tem sofrido uma forte crise no setor, que fez com que as 30 mil vagas existentes há cinco anos fossem reduzidas para apenas 19.727 em julho.
 
É o pior quadro para o mês desde 2002. Só entre maio e julho, foram fechadas 1.302 vagas nas fábricas locais.
 
A produção das indústrias, desde então, também só despenca: dos 39,5 milhões de pares fabricados em 2013, a previsão é que neste ano sejam feitos apenas 28 milhões, mais fraco desempenho desde 1996 -quando a cidade exportava mais e sofreu muito com a crise cambial no governo FHC.
 
Isso assusta Carmem. Sem as empresas gigantes de outrora onde atuou, como Samello e Agabê -que estão no mercado, mas em escala menor-, ela quer uma vaga em qualquer fábrica, para deixar os bicos que tem feito para viver.
 
“Faço o que precisar, sei disso, tenho 25 anos de experiência em várias funções, mas não tenho conseguido.”
 
Ela faz parte de um contingente em que também está Alexandre Silva, 44, parado há oito meses e que deve três meses de pensão alimentícia.
 
“Já entreguei mais de 400 currículos em bancas de pesponto, em todos os lugares possíveis, mas sinto que neste ano não conseguirei nada. Não sei mais o que fazer.”
 
Franca já chegou a exportar num só ano 15 milhões de pares (1993), volume que em 2018 não deve passar de 2,8 milhões. EUA, Argentina, Bolívia, Chile e Uruguai representam cerca de 60% do mercado comprador.

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