Uma operação conjunta das Secretarias Municipais de Ação Social, Saúde e Serviços começou nessa quinta-feira a desocupar praças, avenidas e pontilhões que têm servido de moradia para pessoas que vivem nas ruas. Cinco pontos de Franca foram visitados ontem. Dos 13 moradores de rua abordados, a maioria não aceitou ajuda, mas três concordaram em ser encaminhados para tratamento clínico e outros três pediram ajuda para voltarem a suas casas. A ação denominada Operação Resgate Social continua na próxima semana.
Praça do Santa Adélia
Durante toda a manhã de ontem, foram visitados três locais. O primeiro ponto foi a praça do Jardim Santa Adélia, que ficou conhecida depois que uma ação de limpeza por parte da Prefeitura, no ano passado, culminou na assinatura de um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) com o Ministério Público, estabelecendo regras para as abordagens aos moradores de rua.
O local chegou a ser desocupado, mas meses depois os moradores de rua voltaram a se instalar dentro do imóvel.
Nessa quinta-feira, por volta das 8 horas, quatro deles estavam dormindo dentro do vestiário que não possui iluminação. Tem apenas duas pequenas janelas. Para entrar, os moradores fizeram dois grandes buracos em uma das paredes. No interior, o fedor é grande.
Por conta das chuvas dos últimos dias, as paredes estão úmidas e há acumulo de água no chão. Além disso, como não há higiene, no interior do vestiário há comida estragada e um forte odor de urina.
Apesar da condição subumana, os quatro homens não permitiram que a Prefeitura fizesse a limpeza. Nem quiseram ser encaminhados para o Abrigo Provisório.
“A gente está aqui faz tempo. Eles (a Prefeitura) só vêm aqui para encher a gente. Não vamos sair. Está tudo limpo lá dentro, e não temos problemas de viver aqui”, disse um dos moradores do vestiário que se identificou como Alessandro, de 33 anos.
Ele admitiu ser usuário de crack e álcool. Disse que veio com um irmão da Bahia para Franca, mas não conseguiu emprego e resolveu morar nas ruas.
O secretário municipal de Ação Social, Vanderlei Tristão, solicitou um laudo sobre as condições estruturais do vestiário, que está com todas as paredes rachadas, e também pediu ao fiscal da Vigilância, André Szabo, que acompanhou a abordagem, um laudo sobre as condições de higiene do local.
“Com esses documentos em mãos, vamos encaminhar o caso para o Ministério Público, para discutir quais medidas são cabíveis. Aqueles homens não podem continuar vivendo nessas condições. Estão colocando as vidas em risco.”
Outro morador de rua, que havia montado uma barraca de lona em um dos bancos da mesma praça, aceitou ser internado em uma clínica de tratamento para o vício em drogas e será encaminhado.
Av. Orlando Dompieri
Da praça do Santa Adélia, a operação se dirigiu à avenida Orlando Dompieri. Lá, embaixo da marquise de uma loja desocupada, três pessoas estavam dormindo. Um casal aceitou ser encaminhado para o Abrigo Provisório e, posteriormente, para uma clínica de tratamento.
Já o outro morador de rua, que é de Itirapuã, não quis ajuda. “Eu prefiro mil vezes ficar na rua que ir para o Abrigo, que é cheio de regras e tem um monte de gente pegando no meu pé”, disse. Ele recolheu duas malas com pertences e deixou o local. “Vou andar por aí e ver onde vou dormir. Tem um monte de praça aqui perto.”
Jardim do NG-16
A última abordagem do período da manhã foi feita no jardim do NGA-16, onde um homem de 38 anos havia montado um barraco improvisado. Ele contou à assistente social que está em Franca há um ano e meio e que gostaria de retornar a São Paulo.
Como ele não tinha os documentos pessoais, foi encaminhado ao Centro Pop para o registro da perda dos documentos e, se ainda quiser retornar à capital, a Prefeitura deve custear a viagem.
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