Uma operação conjunta das Secretarias Municipais de Ação Social, Saúde e Serviços começou nesta quinta-feira a desocupar praças, avenidas e pontilhões que têm servido de moradia para pessoas que vivem nas ruas.
Durante toda a manhã, foram visitados três locais. O primeiro ponto foi a praça do Jardim Santa Adélia, que ficou conhecida depois que uma ação de limpeza por parte da Prefeitura no ano passado culminou com a assinatura de um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) com o Ministério Público estabelecendo regras para as abordagens aos moradores de rua. O local chegou a ser desocupado, mas meses depois os moradores de rua voltaram a se instalar dentro do imóvel.
Nesta quinta-feira, por volta das 8 horas, quatro deles estavam dormindo dentro do vestiário que nao possui iluminação.
Tem apenas duas pequenas janelas. Para entrar, os moradores fizeram dois grandes buracos em uma das paredes. No interior, o fedor é grande. Por conta das chuvas dos últimos dias, as paredes estão úmidas e há acumulo de água no chão. Além disso, como não há higiene, no interior do vestiário há comida estragada e um forte odor de urina.
Apesar da condição subumana, os quatro homens não permitiram que a Prefeitura fizesse a limpeza. Nem quiseram ser encaminhados para o Abrigo Provisório. “A gente tá aqui faz tempo. Eles (a Prefeitura) só vem aqui pra encher a gente. Não vamos sair. Tá tudo limpo lá dentro e não temos problemas de viver aqui”, disse um dos moradores do vestiário que se identificou como Alessandro, de 33 anos. Ele admitiu ser usuário de crack e álcool. Disse que veio com um irmão da Bahia para Franca mas não conseguiu emprego e resolveu morar nas ruas.
O secretário de Ação Social Vanderlei Tristão solicitou um laudo sobre as condições estruturais do vestiário que está com todas as paredes rachadas e também pediu ao fiscal da Vigilância, André Szabo, que acompanhou a abordagem, um laudo sobre as condições de higiene do local. “Com esses documentos em mãos, vamos encaminhar o caso para o Ministério Público para discutir quais medidas são cabíveis. Aqueles homens não podem continuar vivendo nessas condições. Estão colocando as vidas em risco”.
Outro morador de rua que havia montado uma barraca de lona em um dos bancos da mesma praça aceitou ser internado em uma clínica de tratamento para o vício em drogas e será encaminhado.
Da praça do Santa Adélia, a operação se dirigiu à Avenida Orlando Dompieri. Lá, embaixo da marquise de uma loja desocupada, três pessoas estavam dormindo. Um casal aceitou ser encaminhado para o Abrigo Provisório e, posteriormente, para uma clínica de tratamento. Já o outro morador de rua, que é de Itirapuã, não quis ajuda. “Eu prefiro mil vezes ficar na rua que ir pro Abrigo que é cheio de regras e tem um monte de gente pegando no meu pé”, disse. Ele recolheu duas malas com pertences e deixou o local. “Vou andar por aí e ver onde vou dormir. Tem um monte de praça aqui perto”.
A última abordagem do período da manhã foi feita no jardim do NGA-16, onde um homem de 38 anos havia montado um barraco improvisado. Ele contou à assistente social que está em Franca há um ano e meio e que gostaria de retornar a São Paulo. Como ele não tinha os documentos pessoais, foi encaminhado ao Centro Pop para o registro da perda dos documentos e, se ainda quiser retornar à capital, a Prefeitura deve custear a viagem.
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