Eleitor não deve ser torcedor


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A participação do candidato à presidência da República pelo PSL, Jair Bolsonaro, na série de entrevistas do Jornal Nacional, na Rede Globo, já repercutia antes mesmo de a sabatina acontecer. O militar reformado, deputado federal pelo Rio de Janeiro, foi entrevistado pelos jornalistas William Bonner e Renata Vasconcelos, na noite da última terça-feira, com transmissão ao vivo pela televisão e internet. O que se viu antes, durante e após a presença do presidenciável no mais importante - e com maior audiência - telejornal do Brasil foram reações típicas de torcedores apaixonados por clubes futebolísticos. Não que a política também não desperte paixões. Não é nada disso. O âmago da questão é que torcer por este ou aquele time, por este ou aquele participante do Big Brother Brasil, The Voice, Masterchef ou qualquer outro reality show tem consequências bem próximas do nada na vida de qualquer cidadão que não esteja direta ou indiretamente envolvido na disputa, já uma decisão nas urnas de um pleito eleitoral, estas sim determinam a vida de todos os cidadãos que compõem o país.
 
As repercussões da entrevista de Bolsonaro externam claramente a dificuldade da população brasileira em não transformar uma escolha, por mais importante que seja, em uma simples disputa. O brasileiro, via regra, não se contenta em ter suas convicções. Ele precisa convencer o diferente de que ele está certo e, quando isso não é possível, necessita pelo menos mostrar ao “inimigo” que sua opinião é a da maioria, a “melhor”, a “vencedora”, a “campeã”. Talvez esteja aqui a gênese desta tragédia atual vivida por todos os brasileiros.
 
A campanha eleitoral no rádio e televisão começa amanhã. Está aí mais uma oportunidade de os eleitores centrarem suas atenções nas propostas e discursos dos candidatos, tentando deixar suas paixões políticas de lado. Serão dois blocos diários de 25 minutos na TV e no rádio, além de inserções durante a programação das emissoras. Na TV, o primeiro bloco começa às 13h e o segundo às 20h30. No rádio, há um bloco às 7h e outro às 12h. Nas terças, quintas e sábados serão exibidos os blocos com horário dos candidatos a presidente e deputado federal. Os programas duram 25 minutos. Postulantes à Presidência terão 12 minutos e 30 segundos. A outra metade do tempo é dividida entre as chapas de quem concorre a uma vaga na Câmara Federal. Nas segundas, quartas e sextas, candidatos ao Senado, Assembleia Legislativa e Governo do Estado. São 7 minutos para campanha ao Senado, 9 para deputados estaduais e 9 para o Governo do Estado. 
 
Até o dia 4 de outubro, os candidatos exporão suas bandeiras em rede nacional. O eleitor deve deixar sua bandeira partidária e ideológica de lado, para empunhar a bandeira de um país melhor e, entre os candidatos, tentar escolher o que defende as melhores e mais viáveis propostas para tirar o Brasil do caos em que se encontra.

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