Em defesa da verdade


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Nunca um processo eleitoral no Brasil esteve tão marcado pela luta da imprensa em esclarecer o que é verdade e que o é mentira nas informações divulgadas pelas redes sociais. A disseminação das fake news, como são chamadas as falsas notícias, não é uma novidade desta campanha, mas foi somente agora que grande parte da população se atentou para o poder devastador que as mentiras disfarçadas de verdade têm sobre o pleito. Esta primeira eleição geral brasileira após o escândalo da disputa presidencial americana de 2016, marcada pela influência de fake news propagadas por agentes russos, será lembrada no futuro pelo empenho dos profissionais da comunicação em separar o que é do que não é fato. Se a obstinação de jornalistas terá sucesso, ainda não é possível afirma - grande parte dos brasileiros parece preferir acreditar na mentira. Mas tal atitude já é passível de reconhecimento pelos cidadãos de bem, que prezam pela verdade.
 
Os exemplos de fake news nestas eleições são os mais diversos, vão desde acusações caluniosas contra os candidatos, divulgação de falsas pesquisas, até “inocentes” montagens com mensagens mentirosas. Outro artifício usado pelos que tentam distorcer a realidade é a divulgação de antigas notícias como se fossem atuais. Há também aqueles que desvirtuam afirmações e dados reais com o objetivo de promover ou atacar este ou aquele candidato. Até mesmo notícias atuais e verdadeiras são usadas pelos difusores de fake news que se valem do fato de a grande maioria dos internautas não lerem o texto inteiro para manipularem a informação de acordo com seus interesses.
 
Aos eleitores, cabe a desconfiança. As histórias mentirosas propagadas pelas redes sociais têm ingredientes que atraem a todos - se assemelham muito aos boatos, às fofocas -, são saborosas e, ao mesmo tempo, perigosas. E, por mais que nossas autoridades tentem meios de combater as fake news, cabe a cada um dos internautas não compartilhá-las. 
 
Para não se transformar em propagador de mentiras, cada cidadão deve duvidar de tudo, checar se a notícia foi publicada por sites da imprensa tradicional, checar se a fonte é confiável e se não há interesse naquilo que ela está divulgando. Até mesmo políticos e sites que se dizem jornalísticos divulgam fake news para prejudicar adversários. Centenas de perfis falsos que remetem a renomados veículos de comunicação se propagam pelas redes sociais. Leia com atenção. Não compartilhe o que você não leu. Não compartilhe o que você leu de apenas uma fonte. Certifique-se que ao compartilhar algo não esteja sempre usado para disseminar a mentira, o ódio, o preconceito.
 
O empenho da imprensa em derrubar as fake news é louvável, mas será infrutífero se não partir de cada cidadão a busca pela verdade.

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