Localizado no Jardim Milena, o 2º Conselho Tutelar de Franca recebe diariamente denúncias sobre problemas que vão desde falta de vagas em creches e evasão escolar até questões familiares e tudo que se relacione a crianças e adolescentes das zonas Oeste e Norte de Franca. Uma questão, em especial, tem chamado a atenção dos conselheiros tutelares. Trata-se do número de suspeitas de violência sexual que chega ao conhecimento da instituição.
Segundo Marcelo Mambrini, um dos conselheiros, de janeiro a julho deste ano, a média de denúncias ao Conselho foram de dez casos por semana. Os atendimentos envolvendo essas acusações, porém, foram em um número bem menor nesse mesmo período: nove. “Esses relatos vêm de vizinhos e parentes de crianças e adolescentes. Vêm de várias formas, sejam denúncias mais vagas que precisam de maior atenção até outras que chegam com mais detalhes e ficam mais fáceis de serem averiguadas”, contou.
Após essas averiguações, os casos são encaminhados à DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) para investigação. Além deles, há os boletins de ocorrência lavrados na especializada. Seus índices foram altos nesses sete meses contabilizados. Segundo a SSP (Secretaria da Segurança Pública), ocorreram 20 estupros de vulneráveis apenas nesse período.
Prisão
Um exemplo desses casos de abuso sexual infantil em Franca culminou na prisão de um pintor de 29 anos. Neste mês, ele foi surpreendido pelo Conselho Tutelar e preso em flagrante por estupro de vulnerável. A vítima tem apenas 12 anos.
De acordo com Mambrini, essa prisão só foi possível graças a denúncias feitas por vizinhos. “Chegou de forma vaga. Uma das pessoas relatou que ele esperava a mãe da menina sair para entrar na casa e ficar com ela. Pedimos que observasse os horários e dias da semana para, assim, conseguir fazer o flagrante”, disse.
Ao chegar na casa, localizada na zona Oeste, o conselheiro pediu para que a mãe fosse até o local e abrisse a porta. Eles entraram na residência e se depararam com pintor dormindo com a garota em uma cama. “Só o fato de estar em contato com a menina, de 12 anos, naquela situação, já configura como estupro de vulnerável. É inaceitável que isso aconteça”, afirmou.
“Felizmente, nesse caso tivemos um desfecho positivo de prisão do acusado, justamente porque os vizinhos estavam atentos ao que ocorria. É preciso que toda a sociedade zele por nossos jovens”, completou o conselheiro.
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