Drones mostram índios isolados na Amazônia


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A Funai (Fundação Nacional do Índio) divulgou na última terça-feira imagens surpreendentes feitas por um drone.  Elas revelaram a existência de uma etnia indígena isolada no meio da selva amazônica. O lugar é chamado Mawetek, e fica na fronteira entre Brasil e Peru. É de difícil acesso, distante até 180 km de barco, mais de 120 km a pé na mata fechada, a partir de uma base da Funai  na margem do rio Javari. Índios isolados são aqueles que nunca tiveram contato com a civilização. 
 
“O uso do drone trouxe segurança para os indígenas e para a equipe da Funai. A ideia é compartilhar essas cenas com os brasileiros para confirmar a existência desses índios e a importância de protegê-los. Precisamos fortalecer o nosso trabalho na região”, disse o indigenista Bruno Pereira, da coordenação da Funai. As fotos mostram um tipo de cabana erguida com grandes folhas de bananeira, onde os índios dormem por alguns dias, até que resolvem abandonar o lugar deixando para traz apenas sinais de uma fogueira. Eles são nômades, não se fixam na terra. 
 
Quando fala em segurança, Bruno Pereira se refere ao perigo que o homem civilizado representa para o índio, pois pode lhe transmitir doenças que o organismo dele não consegue combater. Uma simples gripe pode matá-lo. Foi o que aconteceu quando os portugueses chegaram ao Brasil. Muitas doenças transmitidas pelos civilizados foram mortais aos nativos.   
 
A Funai disse não ter meios de confirmar o número de índios, mas as imagens do drone revelaram pelo menos 16 em três malocas, segundo o órgão. Pouco se sabe a respeito desse grupo, mas os indigenistas estimam que falem a língua “pano”. Nos últimos meses a Funai localizou através de drones 11 grupos isolados nesta região.
 
 
Você sabe quem foi Cândido Rondon?
Cândido Mariano da Silva Rondon, mais conhecido como Marechal Rondon, foi um grande defensor dos índios. Nasceu em Mimoso, no estado de Mato Grosso, em 5 de maio de 1865. Seus  bisavós eram índios. Ele cursou a Escola Militar, no Rio de Janeiro. 
 
De março de 1890 a abril de 1891 foram inauguradas as primeiras estações telegráficas na região amazônica. Isso significou muitos atritos entre funcionários do governo e as tribos ferozes de índios bororos. De 1892 a 1894 Rondon chefiou o distrito telegráfico de Mato Grosso e foi duro no trato com  soldados, impedindo-os de atirar contra os índios.
 
Como conhecesse alguns idiomas indígenas e os costumes de algumas tribos, Rondon conseguia se fazer entender pelos nativos. Depois de ajudar os bororos no reconhecimento de algumas terras, conseguiu o mesmo para os terenas e os quiniquinauas. No seu trabalho de implantação de postos telegráficos, Rondon ajudou  os índios demarcando terras para que não fossem mais molestados. Ao mesmo tempo mapeou áreas ignoradas; descobriu e nomeou rios, vales, montes e lagos. Em 1907 descobriu o Rio Juruena e conseguiu contato com parecis e os nhambiquaras, tribos ferozes. Os desafios das doenças, dos animais selvagens, das matas fechadas, da fome e do cansaço foram muitos, mas  Rondon e seus homens os venceram. Ele conseguiu convencer as autoridades de que a ferocidade dos índios se devia à invasão da floresta. As autoridades recuaram no combate violento. 
 
Sua luta em favor dos indígenas caminhou ao lado do desbravamento de terras até então desconhecidas. Rondon trabalhou duro até o fim. Morreu em 1958, aos 93 anos. 

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