O PAÍS ‘DO FUTURO’ E ‘DA CORDIALIDADE’ NEM MAIS ‘DO FUTEBOL’ PODE DIZER QUE É
Vários rótulos são usados para descrever o Brasil tanto dentro do país como fora. São denominações com as quais a Nação se autoexalta, se autopromove e se autoengana. São termos elogiosos, com conotação ufanista, que elevam o Brasil à perfeição, ao paraíso na Terra. São heranças ainda do período da Ditadura Militar e o início da redemocratização. Era uma época em que o País vivia fechado em si mesmo, e as impressões sobre si eram difundidas pela propaganda oficial, até pela imprensa e pela arte, que ainda iniciavam uma vida livre sem saber ao certo como lidar com a liberdade. Com o passar do tempo, com a revolução tecnológica, com a transformação do mundo numa única aldeia global, de comunicação e informações instantâneas, uma a uma, cada uma das equivocadas qualificações brasileiras foram caindo. “País do futuro”, “país da cordialidade”, “país do futebol”, para citar apenas três, são uma fraude. Cadê este futuro, que há mais de três décadas, nunca chega? Cordialidade, onde ela está com os refugiados venezuelanos, que buscam abrigo em Roraima, por exemplo? Futebol... Ah, o futebol! Nem mesmo dentro das quatro linhas do gramado, o Brasil é referência mais.
A caçada a venezuelanos por parte da população brasileira moradora no extremo Norte do país torna transparente que o “bondoso e generoso” coração tupiniquim não é tão imaculado assim. Esquecidos pelos governantes num dos últimos rincões do Brasil, os roraimenses se viram obrigados a dividir o pouco que a Nação lhes oferece com os refugiados da Venezuela, que fogem da miséria e da ditadura de Nicolás Maduro e seu governo chavista. A reação em Roraima apenas demonstra que, como humanos, os brasileiros têm seus ímpetos animais e, como na selva, em uma situação de crise, lutam para preservar seu território e garantir sua comida. A violência, porém, não é justificável, de forma alguma. Mas reforça que o “país da cordialidade” nunca existiu, nem mesmo entre seu povo - vide a guerra civil não oficializada que se instalou por todo o território nacional, patrocinada pelo tráfico de drogas, por exemplo.
Às vésperas das eleições gerais, o Brasil está mergulhado em uma crise econômica, política e existencial sem precedentes em sua história. O país está corroído moral, político e financeiramente pelo esquema de corrupção que nas últimas décadas dominou o poder público, seja na esfera federal, estadual ou municipal, unindo agentes públicos e da iniciativa privada no objetivo de surrupiar os cofres da Nação. Talvez este o momento ideal para uma guinada.
Abrir mão dos rótulos ufanistas é um caminho para libertar o Brasil de décadas de inação à espera que o grande e promissor futuro caía em seu colo, como um milagre divino, enquanto finge ser cordial, nos limites da conveniência, assistindo a uma partida de futebol.
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