Formada por mais de 20 mil trabalhadores, a categoria mais numerosa de Franca mais uma vez se vê envolta em uma longa negociação para a conquista do reajuste salarial. Enquanto o Sindicato dos Sapateiros e o Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca) não entram em um acordo, milhares de sapateiros seguem com a incerteza de quanto e quando receberão aumento. No ano passado, o acordo foi firmado apenas em outubro, após intermédio do Tribunal Regional do Trabalho, em Campinas. A data-base é o dia 1º de março.
Segundo o presidente do Sindicato dos Sapateiros, Sebastião Ronaldo, o Sindifranca ofereceu 1,81%, correspondente à inflação. Sem o acordo, as indústrias têm aplicado o percentual de reajuste retroativo a março.
Apesar disso, a categoria ainda busca fechar o acordo com o reajuste de 3% e manter todas as cláusulas da convenção coletiva, incluindo a obrigatoriedade das homologações de demissões no Sindicato dos Sapateiros ou Ministério do Trabalho, a partir de oito meses de registro, e acompanhamento do formato de compensação do banco de horas e da determinação da jornada de trabalho.
“Estivemos perto de fechar o acordo, em 3%, mas os patrões querem tirar direitos que lutamos durante anos para conseguir. A convenção coletiva, apesar da Reforma Trabalhista, nos garante que o formato de compensação de banco de horas seja acompanhado pelo Sindicato, assim como a compensação de horas e a jornada de trabalho”, explicou o presidente.
Demissões
Segundo Sebastião Ronaldo, outro problema agravado com a demora no acordo tem sido o acompanhamento das demissões. Diariamente, são recebidas informações sobre desligamentos realizados em fábricas de grande porte na cidade. O problema, para ele, foi agravado com a liberação da Reforma Trabalhista.
“As homologações agora passam direto nas empresas, o que nos dificulta acompanhar o número real. Sabemos que hoje temos mais de 20 mil trabalhadores na categoria, em mais de 3 mil empresas do setor, sendo essas de pequeno, médio e grande portes”, disse Ronaldo. “Com a autorização da terceirização, o que estamos acompanhando é o fechamento de vagas nas grandes empresas que, em um futuro próximo, nem existirão. Eles terceirizam o serviço para os antigos funcionários, que abrem em suas garagens as pequenas fábricas”, completou.
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