Um crime bárbaro e covarde, com requintes de extrema crueldade, foi registrado em Franca no último domingo. O caso tomou ares mais trágicos no meio desta semana, quando a vítima - uma mulher - não resistiu aos graves ferimentos causados pela ira de seu agressor e morreu. Trata-se de mais um crime que ganhou nova tipificação pela legislação brasileira, em 2015, e vez ou outra é alvo de contestação - e até ridicularização - por parte de membros da sociedade machista que impera no Brasil. Infelizmente, em pleno século XXI, o país ainda necessita de leis que protejam as mulheres e defendam seus direitos. A realidade da desigualdade de gêneros bate à nossa porta constantemente, seja em casos de discriminação no mercado de trabalho ou, os mais graves, de violência. Apesar de serem a maioria da população, as mulheres brasileiras sofrem diariamente, pura e simplesmente, pelo fato de serem mulheres.
Passava um pouco das 12h30 do último domingo, quando a sapateira Vera Lúcia Coutinho, 48, deixava a casa de familiares no Jardim Guanabara e, já dentro de seu carro, foi abordada pelo ex-marido, o pedreiro José Fonseca Mendes, 32. Inconformado com o fim do relacionamento, há cerca de sete meses, de acordo com parentes da vítima, ele constantemente importunava a ex-mulher. No dia 19, seria a última vez. Durante a discussão, o agressor sacou uma garrafa com álcool e jogou o combustível no corpo da sapateira. Ato contínuo, ateou fogo. Fugiu. Ela foi socorrida e internada com 50% de seu corpo queimado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) da Santa Casa de Franca. Permaneceu no hospital, em coma induzido, até a madrugada da última quarta-feira, quando morreu. O agressor se entregou à polícia na tarde do mesmo dia. “O acusado até disse que se irritou com o fato de que, durante os 12 anos (em que estiveram juntos), quis morar com ela e a vítima não quis. Mas que, agora, estava até morando com o novo namorado”, disse
o delegado Márcio Murari, que comanda as investigações, logo após interrogar o assassino.
O caso de Franca é apenas um entre tantos que acontecem diariamente em todos os cantos do país. E a motivação, via de regra, são motivos banais, ciúme decorrente da falsa certeza que muitos homens carregam de que as mulheres são objetos de sua propriedade. Mendes foi indiciado por homicídio triplamente qualificado e feminicídio. Esta, a nova tipificação de crime, que veio para fortalecer ainda mais a Lei Maria da Penha. Feminicídio é o assassinato de mulheres decorrentes da condição de gênero, ou seja, serem mortas justamente por serem mulheres.
Apesar de toda a legislação existente de proteção a mulheres para garantir a elas nada além da igualdade, a discriminação continua, os crimes não cessam. Mais que leis, o País precisa de novos cidadãos - neste caso, homens e mulheres. Novos no pensamento, novos nas atitudes. Não é negando que o mal deixará de existir. É preciso enfrentá-lo.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.