GUERRA FISCAL ASSEDIA INDÚSTRIAS FRANCANAS E AMEAÇA EMPREGOS
Quando tudo vai bem, quando os cenários nacional e internacional colaboram, dificilmente as deficiências estruturais locais e regionais são expostas. Mas quando essa sustentação - apesar de virtual - falha, são os alicerces estaduais e municipais que devem manter a economia da comunidade em pé. Ou deveriam. Enquanto o Brasil navegou em mares calmos, na crista de ondas tranquilas e frequentes, o setor calçadista de Franca conseguiu superar a falta de políticas estaduais e até de apoio municipal, e se manter de pé. Mas desde a grave recessão nacional de 2015 e 2016, as indústrias buscam meios de se sustentarem na cidade. O corte de despesas é inevitável e, quase sempre, se reflete sobre o quadro de funcionários. Não que esta seja a primeira alternativa, mas ao diminuir produção e cancelar investimentos, conservar o mesmo número de colaboradores não faz sentido. Não bastasse isso, há ainda a guerra fiscal. Com incentivos, cidades de outros Estados cortejam fábricas instaladas em Franca. Em muitos casos, o assédi
o é exitoso e, mais uma vez, quem acaba prejudicado é o trabalhador francano. Nesse caso, porém, não é na cidade que seu problema será exterminado. Tudo depende de políticas estaduais. Mas é a partir de Franca que a solução pode começar a ser tomada.
Nossas lideranças lutar por regras mais justas, pelo menos para equalizar as condições fiscais entre os Estados. Não há razões para São Paulo cobrar impostos mais altos do que outras unidades da Federação. Assim como não há motivos para um empresário pagar uma taxa mais alta, se ao cruzar a fronteira com Minas Gerais, por exemplo, o imposto é mais baixo e as condições de recolhimento mais flexíveis. Franca, alega o sindicato das indústrias, não defendeu o interesse dos calçadistas nos últimos anos e, ao longo do tempo, perdeu empresas, principalmente para o Nordeste. Hoje, na resseca da crise, paga o descaso dos governantes de outrora com o desemprego que insiste em assombrar sua população.
Dados divulgados pelo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do Ministério do Trabalho e Emprego, divulgados nesta quarta-feira, mostram que a cidade fechou 305 postos de trabalho com carteira assinada no mês de julho. No mês anterior, o saldo também havia sido negativo, com 586 vagas. A sequência de resultados ruins é puxada, principalmente, pela indústria com o extermínio de 533 postos em julho e 522, em junho.
A mais cruel faceta de uma crise econômica é, sem dúvida alguma, o desemprego e suas duras consequências. O Brasil está em plena campanha eleitoral. Este é o momento propício para cobrar dos candidatos, que serão os futuros governantes, comprometimento com medidas efetivas de proteção ao setor calçadista de Franca.
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