Três dias depois de ter 50% de seu corpo queimado e ser colocada em coma induzido, a sapateira Vera Coutinho, de 46 anos, não resistiu aos graves ferimentos. Ela morreu na madrugada dessa quarta-feira, na Santa Casa, onde estava internada desde domingo. Também ontem, seu assassino foi preso. Trata-se de seu ex-namorado, o pedreiro José Vitorino Fonseca Mendes, de 32 anos.
Vera foi vítima do ex-companheiro, que, inconformado com o término do relacionamento, ocorrido há sete meses, foi atrás dela mais uma vez. A vítima estava dentro de seu carro, em frente à casa da mãe, no Jardim Guanabara, quando o pedreiro chegou. Furioso, ele jogou álcool em seu corpo, ateou fogo e fugiu.
Apesar da luta para sobreviver e da expectativa de melhora de sua família, a sapateira não resistiu. Ela foi velada ontem, no São Vicente, e sepultada ainda no final da tarde, no Cemitério Santo Agostinho. O funeral foi acompanhado por familiares e amigos, que pediram justiça.
Enquanto os parentes prestavam suas últimas homenagens, Mendes se entregava à polícia. Acompanhado de uma irmã, ele foi até a DIG (Delegacia de Investigações Gerais) e confessou o que fez. Afirmou não ter premeditado o crime, já que tinha o hábito de andar com uma garrafa PET com etanol por conta de sua bicicleta motorizada. Contudo, não explicou o que estava fazendo com uma faca na mochila, na ocasião dos fatos.
Além da confissão, Mendes atribuiu o fato à recusa dela de retomar o relacionamento. “Ela iniciou um novo relacionamento e não quis voltar. O acusado até disse que se irritou com o fato de que, durante os 12 anos (em que estiveram juntos), quis morar com ela e a vítima não quis. Mas que, agora, estava até morando com o novo namorado”, disse o delegado Márcio Murari, que comandou as investigações.
Após prestar depoimento, Mendes passou por exame de corpo de delito no IML (Instituto Médico Legal) e atendimento no Pronto-socorro “Álvaro Azzuz”. Ele se feriu enquanto ateava fogo no corpo da ex-namorada e, por isso, apresentava queimaduras pelo pescoço e peito.
Do PS Municipal, o pedreiro seguiu para a Cadeia Pública do Jardim Guanabara, onde deve permanecer por 30 dias. Ele foi indiciado por homicídio triplamente qualificado e feminicídio (quando a vítima de assassinato é morta por ser mulher).
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