RESULTADO DE PESQUISAS ELEITORAIS DISPARA DÓLAR E DERRUBA BOLSA
O que será do futuro? Quem será o novo governante do Brasil? Qual sua linha econômica? Qual seu viés político? O que esperar da economia brasileira pelos próximos quatro anos? Essas são apenas algumas das muitas perguntas que perturbam os brasileiros às vésperas das eleições presidenciais. Fora o cidadão comum, o mercado financeiro é o que mais sofre por antecedência. Corretores e analistas tentam, de toda a forma, antever o futuro, na esperança de antecipar lucros e, principalmente, evitar prejuízos. Qualquer sinal, dado, fala ou movimento indicando que o caminho a ser traçado pelo País pode não ser aquele previsto - ou preferido - pelos especialistas já é motivo para desencadear o mau humor nos mercados. Nessa terça-feira, não foi diferente. A ressaca causada pelo resultado de pesquisa de intenção de votos divulgada no dia anterior fez a cotação da moeda americana disparar frente ao real. O Ibovespa - o principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo -, como era de se esperar, fez caminho inverso ao dólar e caiu.
Pela primeira vez desde fevereiro de 2016, o dólar fechou acima dos R$ 4 nessa terça-feira. A cotação avançou 2,04% e a moeda americana terminou o dia valendo R$ 4,039. Patamar maior que esse só foi registrado, recentemente, em 8 de janeiro de 2016, quando alcançou R$ 4,04. Já o Ibovespa registrou uma queda de 1,50%, indo a 75.180,38 pontos. A menor pontuação nas últimas seis semanas. A histeria dos investidores não está na ponta das pesquisas, mas sim nos candidatos que aparecem do meio para trás. Tratam-se, justamente, dos nomes dos dois partidos que governaram o Brasil entre 1994 e 2016. São Geraldo Alckmin (PSDB) e Fernando Haddad (PT) que preocupam o mercado.
De acordo com pesquisa Ibope, divulgada na noite de segunda, no cenário sem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o deputado Jair Bolsonaro (PSL) lidera a corrida ao Planalto, com 20%. Na sequência, aparecem Marina Silva (Rede), com 12%, e Ciro Gomes (PDT), com 9%. O candidato preferido pelo mercado, Alckmin, tem 7%, empatado tecnicamente justamente com o provável substituto de Lula, Haddad, que aparece com 4%.
O mercado, dizem especialistas, viu nos números a dificuldade do tucano para deslanchar e a possibilidade de o substituto de Lula chegar ao segundo turno. “Há esse receio, e Haddad começou a ganhar protagonismo em um cenário sem Lula”, diz a estrategista de câmbio do Banco Ourinvest, Fernanda Consorte. Mas os próprios analistas reconhecem que ainda é cedo para bater o martelo sobre o resultado das eleições. A instabilidade econômica deve continuar por todo o período eleitoral. Até outubro, o vai e vem do dólar e da bolsa deve seguir em ritmo frenético e ao eleitor fica a certeza: se a intenção de voto já é capaz de causar tamanho movimento no mercado financeiro, a que se temer pelas consequências da decisão a ser tomada nas urnas.
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