De olho no vice


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Nas convenções partidárias deste ano, não foi nada fácil a escolha dos candidatos a vice-presidente da República. Com exceção do PT (Partido dos Trabalhadores) que, sem maiores dificuldades, optou por Fernando Haddad para compor a chapa do candidato “ficha suja” Luis Inácio Lula da Silva. Os demais candidatos suaram sangue para definir o melhor nome.
 
O candidato a vice, historicamente, sempre foi escolhido pelos partidos levando-se em consideração a possibilidade de se concretizar coligações, aquelas que possam permitir acréscimo de tempo na propaganda eleitoral gratuita no Rádio e na Televisão, sem se preocupar com o perfil do indicado.
 
Por outro lado, o povo brasileiro, como regra, nunca se preocupou em escolher o seu candidato, com os olhos voltados para a figura do vice. Em alguns casos, o próprio partido até costuma esconder ao máximo a figura do vice, por entender que ele possa prejudicar mais do que contribuir.
 
As pessoas se esquecem que a história política do país, após a redemocratização, é pródiga em situações em que o vice acabou tendo de assumir, em definitivo, o mandato presidencial.
 
Tancredo Neves, eleito indiretamente, acometido de doença grave, acabou falecendo sem tomar posse. Assim, assumiu José Sarney, numa decisão político-jurídica bastante discutível, uma vez que os constitucionalistas da época preconizaram a realização de novas eleições. Sarney deixou o país com uma inflação próxima de 100% ao mês. Posteriormente Fernando Collor acabou sofrendo impeachment, assumindo o vice Itamar Franco. O político mineiro, já no exercício do cargo, foi flagrado por fotógrafos em um evento carnavalesco na companhia de uma modelo sem calcinhas. Recentemente Dilma Rousseff foi retirada do poder, assumindo o vice Michel Temer, que se encontra às voltas com graves denúncias de corrupção.
 
Diante dessa sucessão de eventos em tão curto espaço de tempo, é melhor o eleitor, antes de votar, procurar conhecer melhor o candidato a vice para que, no futuro, não se arrependa. Pois, no Brasil, nessa seara, o raio já caiu mais de uma vez no mesmo lugar. Tudo indica que poderá cair de novo.
 
Setímio Salerno Miguel
Advogado Empresarial e Professor da Faculdade de Direito de Franca

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