Ouve um relincho bem triste
Basta apenas que anoiteça
Soltando fogo na frente
A assustar quem apareça
Correndo dentro das matas
Dando coices com as patas.
É a Mula-sem-cabeça!
Negrinho de perna só
De carapuça encarnada
Pulando dentro da mata
De estridente gargalhada
É o Saci na diabrura
Pererê que na cultura
É coisinha endiabrada!
Negrinho do Pastoreio
Menino estraçalhado
Por seu dono tão cruel
Senhor do mal, desalmado
Negrinho ao morrer seduz
Voltando cheio de luz
Pelo povo idolatrado!
Dentro do rio Amazonas
Nas águas de remansar
Vive a poderosa Yara
Cantando pra encantar
Os mais jovens ribeirinhos
Cheia de encanto e carinho
Pra com eles se casar!
Dele todos agressores
Fogem com medo da ira
Quem mata e destrói a mata
Teme e tremendo se vira
Com pavor do indiozinho
Pés pra trás e bem ruivinho
Que é o próprio Curupira
Assim é o nosso Folclore
Cheio de sabedoria
Que protege nossas matas
Contra toda tirania
Contra a ambição do tirano
Educando o ser humano
Com cultura e alegria!
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