A corrida eleitoral pela Presidência da República chega ao primeiro fim de semana de campanha nas ruas e já com dois debates realizados por redes de televisão. E entre os candidatos, quem melhor aproveitou as oportunidades até aqui, deste tão curto período de campanha eleitoral é Marina Silva, que disputa o Palácio do Planalto pela Rede. A ex-ministra acampou as demandas femininas em seus discursos e, principalmente, no encontro entre os presidenciáveis promovido pela Rede TV!, em parceria com portais de notícias e redes sociais, partiu para cima do polêmico Jair Bolsonaro (PSL), que enfrenta a pecha de “machista”. No embate entre os dois, em uma espécie de ringue montado nos estúdios da emissora, Marina não se intimidou com a figura do militar da reserva. Foi para cima, encurralou o oponente justamente quando o assunto eram as mulheres.
Ao discutirem diferença salarial entre homens e mulheres no país, a candidata contestou o capitão reformado sobre afirmação dele de que a diferença salarial entre homens e mulheres não é uma questão por já ser vetada pela CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). “Não é uma questão de que não precisa se preocupar. Tem que se preocupar sim”, disse Marina a Bolsonaro. O deputado havia dito que “é mentira” que defendeu que mulher deve ganhar menos que homem. “Na CLT já está garantido à mulher ganhar igual ao homem. Não temos que nos preocupar com isso”, falou. Marina rebateu que a realidade comprova que ainda há diferença remuneratória, apesar de ambos terem as mesmas capacidades, e que é função do presidente da República lutar contra o problema.
A candidata da Rede ainda criticou o rival por “pegar a mãozinha de uma criança e ensinar como é que faz para atirar”. “É esse o ensinamento que você quer dar? Você acha que pode resolver tudo no grito, na violência”, disse ela, sob aplausos da plateia. “Nós somos mães, nós educamos os nossos filhos. A coisa que uma mãe mais quer é ver o filho educado pra ser um cidadão de bem.” É neste ponto - justamente o de ser mulher - que Marina pode avançar ainda mais. Conquistar as mulheres é visto como importante para todos os postulantes ao Planalto, já que representam 52% do eleitorado brasileiro. Além disso, são maioria também no desejado voto indeciso.
O embate com Bolsonaro a respeito de gênero dá o tom da estratégia da candidata da Rede, que explorará no curto tempo da corrida eleitoral o fato de ser a única candidata mulher competitiva para atrair o cobiçado eleitorado feminino. Diferentemente de 2010 e 2014, quando teve como adversária a petista Dilma Rousseff, em sua terceira tentativa de chegar ao Planalto, Marina não dividirá espaço com outras candidatas - só o PSTU também lançou uma mulher como cabeça de chapa, mas Vera Lúcia não chega a causar preocupações.
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