Há dez dias, Franca foi alvo de uma operação da Polícia Federal de combate ao tráfico internacional de transexuais. Denominada Fada Madrinha e feita em conjunto com o Ministério Público do Trabalho de Franca e Ministério Público Federal, desmantelou um esquema em que os envolvidos foram acusados de trabalho escravo, agressões e exploração sexual. Em Franca, um casal de transexuais, apontado como líder da quadrilha, foi preso. Eles obrigavam as vítimas a se prostituir para pagar diárias de R$ 170. Desse dinheiro, R$ 70 eram para hospedagem e alimentação e R$ 50 para acessórios e roupas.
Quando não conseguiam todo o dinheiro, as transexuais eram agredidas com barra de ferro e paus com prego e obrigadas a voltar para as ruas e arrecadar o dinheiro mediante prostituição. Também acumulavam dívidas porque eram encaminhadas pelos acusados para clínicas médicas, onde faziam implante de próteses mamárias. Também foram investigadas pessoas de São Paulo, Leopoldina (MG) Aparecida de Goiânia, Rio Verde, Goiânia e Jataí (GO).
A polícia chegou ao esquema no início de 2017, graças a reclamações contra algumas transexuais que são apontadas como vítimas desses criminosos.
A denúncia inicial era de perturbação de sossego na região da Integração e Chico Júlio. Moradores fizeram um abaixo-assinado e, entre as reclamações, alegaram que os transexuais, moradores de uma casa perto do Walmart, no Jardim Francano, e de uma casa no Dermínio, ficavam nas ruas fazendo sexo ao ar livre, usando drogas e perturbando quem passava.
“Fizemos uma operação no local em setembro de 2017, em conjunto com a PM e Vigilância Sanitária e confirmamos o fato. Trouxemos 17 transexuais para a delegacia e, antes de serem liberadas, algumas delas deram informações de que estavam vinculadas a uma dessas pessoas presas pela PF”, disse o delegado Alan Bazalha Lopes.
Bazalha, em contato com o MTE (Ministério do Trabalho e Emprego), foi informado pela procuradora do trabalho, Regina Duarte da Silva, que já estavam investigando o esquema e que a exigência da prostituição para quitar as dívidas, intermináveis, demonstrava indícios de trabalho escravo.
Além disso, havia também a informação de que, no meio disso tudo, estava acontecendo tráfico de transexuais. “Até então estava sendo apurado que eles vinham de outros Estados, como Goiás, e outros iam embora. Sem saber, essas pessoas que reclamaram dos transexuais fazendo algazarra nos ajudaram”, disse o delegado.
Diante disso, o Ministério Público do Trabalho de Franca denunciou o caso à Polícia Federal e, no dia 9 de agosto, a primeira fase da operação prendeu o casal e resgatou 14 transexuais que ficavam no sobrado do Jardim Dermínio. Além do fim do trabalho escravo, a PF acabou com o esquema de que as transexuais mais promissoras eram enviadas para a Itália, onde a escravidão não tinha fim, já que tinham de arcar com todos os custos. O caso segue sob investigação para saber se há mais vítimas e mais pessoas envolvidas no crime.
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