O sagrado do Asé preservado como patrimônio


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Orisá Oya distribuindo saúde, simbolizada pela pipoca, durante a festa de Olubajé
Orisá Oya distribuindo saúde, simbolizada pela pipoca, durante a festa de Olubajé
Com as bênçãos dos orixás (divindades cultuadas nas religiões de matrizes africanas), o Ilê Alaketú Asé Ogiyán Ofururu, no Jardim Portinari, celebrou 30 anos de existência com um marco histórico: é o primeiro terreiro de candomblé de Franca a ser reconhecido como patrimônio de cultura imaterial tombado pelo Condephat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Turístico do Município de Franca). 
 
Com o título, fica garantida a preservação de todas as práticas, representações, expressões e culturas que envolvem essa religião e a identidade de seus ancestrais. 
 
Claudia Bolela, do Condephat, e Elson Boni, secretário de Esportes, Arte e Cultura de Franca, estiveram presentes na ocasião e fizeram o descerramento da placa de tombamento do Ilê, junto com o babalorixá Luciano Ty Ogiyan, que é o pai de santo e fundador da casa. 
 
“É muito importante este momento. É o primeiro tombamento da gestão Gilson de Souza (DEM). Estou muito feliz por isso, porquê, apesar de ser evangélico, é uma cultura que eu admiro e respeito. Temos que respeitar cada religião, cada crença e sua cultura”, disse Boni. 
 
O babalorixá Luciano Ty Ogiyan explica que o candomblé é uma religião de matrizes africanas que prega as forças da natureza. No Ilê Alaketú Asé Ogiyán Ofururu - em tradução: “Casa do Povo de Ketu da Força de Ogiyán Sopro da Vida” -, é feito o candomblé do ketu que tem descendência yorubana. 
 
O processo de tombamento foi iniciado com uma pesquisa no final de 2017, concluída neste ano e aprovada pela Prefeitura de Franca. “O Condephat buscava uma representatividade da nossa cultura e religiosidade em Franca, e o Ilê chamou a atenção por ser historicamente o primeiro e ainda resistir ao longo destes anos. O tombamento foi concedido por unanimidade, depois de ter cumprido todos os protocolos previstos”, destaca o babalorixá, que estima ainda existir na cidade pelo menos outras sete casas de candomblé. 
 
Ainda no último sábado, 11, junto com as homenagens pelo tombamento do Ilê, realizou-se a festa de Olubajé - festa anual prevista no calendário litúrgico da casa e que é promovida em prol à saúde. Aproximadamente 400 pessoas prestigiaram o acontecimento que cultuou cinco orixás: Omulú-Obaluaiye, Oxumarê, Iyewa, Nanã e Osanha, com muita dança e musicalidade ao som forte dos atabaques. No ritual, os participantes receberam um banho de pipoca que simboliza a retirada de toda a negatividade. 
 
Para fechar, foi servido um banquete com feijoada, lagarto assado, pato ao molho de laranja, cabrito ao molho, frango assado e saladas.

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