O diretor regional da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) em Franca, Evandro Gaiad Fischer, foi afastado do cargo por ordem judicial ontem. Ele é acusado de fraudar fiscalização ambiental para beneficiar empresas. A notificação sobre a medida cautelar de afastamento foi feita por promotores do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), durante cumprimento de mandado de busca na casa dele, em Ribeirão Preto, na primeira fase da Operação Curupira, deflagrada com a Polícia Militar. Apreensões de documentos e computadores também foram feitas na Cetesb, em Franca.
Segundo o Gaeco, há inúmeros elementos demonstrando que o gerente seria responsável por influenciar e fraudar a fiscalização.
“As informações colhidas deram conta de que o investigado, exercendo a função de diretor da agência ambiental, imporia aos servidores da Cetesb, responsáveis pelas vistorias técnicas in loco, a confecção de relatórios enganosos sobre os danos ambientais, retratando apenas parcela dos danos (de menor relevância), de forma a beneficiar empresas exploradoras de atividade econômica, em especial no plantio e usinagem da cana-de-açúcar”, diz nota.
O Ministério Público afirma que, mesmo quando os técnicos elaboravam os relatórios de forma correta, o gerente se utilizaria do cargo para atrasar a aplicar de multas, descaracterizando relatórios e determinando diligências impertinentes, tudo para fazer desaparecer a causa que justificou a atuação. “Foi possível verificar que há indícios no sentido de que alguns investigados integram um sistema institucionalizado construído para favorecimento de interesses privados na obtenção de licenças, autorizações e para se evitar autuações ambientais.”
O Gaeco diz que a apreensão de documentos e objetos foi significativa, mas que não poderia divulgar mais informações para não prejudicar as investigações.
O gerente Evandro Fischer teve o celular apreendido e não foi encontrado para comentar as acusações. Em nota, a Cetesb informou que está apurando os fatos e sua extensão para adotar as medidas necessárias para colaborar com o MP e a Justiça.
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