INTERVENÇÃO NA SEGURANÇA PÚBLICA DO RIO COMPLETA seis MESES DE NADA
Era 16 de fevereiro deste ano. A escalada da violência, principalmente na região metropolitana do Rio de Janeiro, atingia proporções de caos. O descontrole do Estado e domínio das facções criminosas e milícias foram projetados nacionalmente durante o Carnaval de 2018. Arrastões nas praias, nas ruas dos mais famosos bairros da Cidade Maravilhosa, tiroteios nos principais corredores da Capital... A violência incontrolada chegava a turistas e moradores da orla. Nas favelas, milícias ou traficantes mantêm seus governos paralelos há anos. Mas a guerra do morro chegava ao asfalto. A vitória da criminalidade sobre o governo carioca desfilou pela cidade do Rio de Janeiro durante todo o Carnaval. O governador fluminense Luiz Fernando Pezão (MDB) até tentou esconder o problema. Chegou a afirmar que tudo estava sob controle. Mas, dias depois, foi obrigado a assumir a incapacidade, a incompetência do Estado. Naturalmente, as cobranças foram transferidas ao Palácio do Planalto, que reagiu com uma intervenção na área de segurança do Rio de Janeiro. E agora, seis meses depois, é possível afirmar: tudo deu em nada!
Para “pôr termo a grave comprometimento da ordem pública”, o presidente Michel Temer (MDB) passou o comando das polícias, dos bombeiros e do sistema penitenciário do Rio de Janeiro para a responsabilidade do governo federal. Nomeou o general Walter Souza Braga Netto, do Exército, para a função de interventor. “Já resgatamos o progresso e retiramos o país da pior recessão de nossa história. É hora de restabelecer a ordem. E a manutenção da ordem foi o fundamento constitucional para a intervenção, tal como prescreve o Artigo 34 da Constituição Federal. Unidos, traremos segurança para o povo brasileiro”, discursou o presidente, em pronunciamento à Nação, ao anunciar tão drástica medida, inédita na história do Brasil, desde a redemocratização, em meados da década de 1980.
O que se viu de prático, desde então, foi uma redução nos crimes contra o patrimônio, como os roubos de carga e de rua, contra pedestres e motoristas. Em contrapartida, os crimes contra a vida, continuam no mesmo patamar pré-intervenção ou até subiram. O número de homicídios e de mortes por policiais teve um aumento durante os cinco primeiros meses do controle federal. Os interventores alegam maior número de ações policiais para tentar justificar o aumento. Houve, ainda, uma aparente migração dos crimes. O índice de assassinatos e roubos de cargas subiu na Região dos Lagos, onde está Búzios, e no município de Niterói.
A intervenção, planejada para ser um grande trunfo de Temer, transformou-se em mais um grande fiasco de seu governo, que ficará marcado por recuos e promessas não cumpridas, além da impopularidade recorde.
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