Grande parte dos brasileiros aguardou ansiosamente o dia 9 de agosto. Nenhuma candidatura foi confirmada pela Justiça Eleitoral, nenhum candidato foi autorizado a levar suas campanhas às ruas, à internet, mas a imprensa foi autorizada a exercer seu fundamental papel de informar. A batalha hérculea contra a crise que atinge principalmente este importante setor da economia, mas que vai além dos números. Além de empregos e tributos, um setor que distribuiu informação, um setor que dissipa diferenças, que contribui a cada letra, a cada palavra, a cada texto, a cada notícia, com a construção da cidadania, foi privilegiado pela tão restritiva legislação eleitoral, com o seu poder pétreo, o de informar - e formar. Mas a prova de que a imprensa sozinha não é nada foi dada no primeiro debate entre candidatos a presidente da República. A Band, cumprindo uma tradição de anos, abriu o embate entre os presidenciáveis, e o que se viu foi a falta de combate, de confrontos e - o pior - de propostas. Foi a primeira vez que os principais candidatos ao Palácio do Planalto se encontram em rede nacional, e o resultado foi lamentável, temerário.
Participaram do confronto... Não, não foi um confronto! Estiveram no encontro, mediado pelo experimentado jornalista Ricardo Boechat, Alvaro Dias (Podemos), Cabo Daciolo (Patriota), Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB), Guilherme Boulos (PSol), Henrique Meirelles (MDB), Jair Bolsonaro (PSL) e Marina Silva (Rede). O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) até foi convidado, mas não pôde ir, por causa de um simples detalhe: está preso em Curitiba, condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Talvez o único “político” com capacidade de chegar ao segundo turno contra Jair Bolsonaro, Geraldo Alckmin foi o alvo preferencial dos rivais. O tucano se portou como o “velho político”, não inventou personagem, não apelou ao populismo, se portou como o Alckmin de sempre, sem despertar paixão alguma, nem para o bem, nem para o mal. Herdou o posto de alvo, logo no primeiro confronto entre Boulos e Bolsonaro. O militar reformado, já na primeira resposta, disse que não estava ali para brigas. Abriu mão de preciosos segundos em um canal aberto de televisão, justamente para evitar o confronto.
O encontro promovido pela Band serviu apenas para apresentar ao Brasil um tal de Cabo Daciolo. Este sim foi o personagem do debate. Mas não por suas propostas. O destaque foi sua excentricidade. Foi a piada da noite. Originou memes que não param de aparecer nas redes sociais sobre a URSAL (União das Repúblicas Socialistas da América Latina). Uma suposta organização entre governantes latino-americanos para criar um estado único, da qual Ciro Gomes faria parte. A parte os devaneios, o debate foi morno, apesar dos momentos hilários. Riso de nervosismo, riso de desespero. O Brasil está desamparado. Se nada mudar, que vença o menos pior.
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