Atualmente com 49 anos, o pespontador Jesimar Aparecido Gama ficou conhecido em Franca e no Brasil pela luta que trava desde 2014 para que o filho, Davi Miguel, 4, portador de uma doença rara que o impede de absorver qualquer nutriente em seu organismo, realize um transplante de intestino. “Vivo pela cura do meu filho desde que ele nasceu. Quando soubemos da gravidade do caso dele ficamos sem chão. Planejamos uma vida completamente diferente e, de repente, nos vimos com a primeira internação e sem nem saber o que estava acontecendo, pois o diagnóstico demorou”, disse o pai.
Era o dia 7 de agosto de 2014 quando a história de Davi Miguel foi contada, pela primeira vez, nas páginas do Comércio da Franca. Desde então, a luta de Jesimar e sua esposa, Dinea Gama, para conseguir a cirurgia para o filho, que só poderia ser realizada em Miami, nos Estados Unidos, ganharia o País. Unindo forças com a população e mídia, quase um ano depois, em julho de 2015, os pais conquistaram na Justiça que o Ministério da Saúde bancasse o procedimento.
“Decidimos lançar a campanha em agosto de 2014, pois sabia que era muito difícil pagar a cirurgia. Foram vários eventos e uma luta imensa, isso tudo com meu filho sempre internado. Recebemos sempre de todas as partes um carinho imenso para salvar o nosso filho. Tudo o que fizemos sempre foi por ele”, conta.
Segundo Jesimar, que hoje mora com o filho e a esposa em Miami, (até o ano passado o outro filho Gabriel também morava com o casal no exterior) onde aguardam os últimos detalhes para retornar ao Brasil, já que o transplante neste momento é inviável, o menino deve continuar em tratamento em casa. “Todo o processo foi muito difícil, desde as campanhas, manter a nossa vida de trabalho enquanto ainda estávamos no Brasil, até a vinda da minha esposa com ele para os Estados Unidos”, disse.
De todos os momentos vividos com o filho desde que ele nasceu, Jesimar destaca como o mais difícil a primeira internação na UTI (Unidade de Terapia Intensiva). “Fomos logo avisados pelo plantonista que a situação era crítica e que se nos ligassem na madrugada seria por que ele não resistiu. Não dormimos durante toda a noite e ela foi, com toda certeza, uma das mais longas das nossas vidas”, conta, com a voz embargada.
Jesimar destaca ainda a mudança de país, a desistência do emprego e a adaptação a uma nova cultura. “Não foi fácil nos mudarmos, não conhecer ninguém, nosso filho com uma nova batalha por dia, até que a equipe médica nos informou que o transplante, ao menos por hora, era inviável. Passarei mais um Dia dos Pais com meu filho aqui, mas ainda sem saber quais serão os próximos passos. Só sei que estamos vivendo e aproveitando um dia de cada vez”, finalizou.
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