É morando em uma casa simples na Vila Santa Cruz que Isabel Cristina da Silva, 39, mãe do pequeno Davi, de apenas 9 anos, luta para que o menino tenha mais conforto na longa batalha que trava para viver. No quintal, ao lado da piscina que construiu sozinha com os filhos - além de Davi ela é mãe de Alexandre, de 11 anos -, a atendente de caixa falou com a reportagem do Comércio sobre a ansiedade e a aflição que vive há aproximadamente quatro meses, quando descobriu que o caçula, que desde o ano passado sofria com tonturas, tinha meduloblastoma (um tumor no cérebro mais comum em crianças), em estágio 4, com metástase na coluna e hidrocefalia.
“O meu filho começou a sentir os primeiros sintomas no ano passado. Eram tonturas, não tão frequentes, mas optei por levá-lo a um neurologista. O primeiro diagnóstico foi labirintite, só que ele continuou a se queixar, algum tempo depois, de dores de cabeça. Mais uma vez fomos ao médico e a pediatra dele disse que era normal. Como mãe fiquei preocupada e, em abril, com vômitos e dores de cabeça fortes, sempre no período da manhã e com várias visitas ao PS Infantil e diagnóstico de sinusite e enxaqueca, pesquisei e achei sobre o meduloblastoma, pedi então ao médico que investigasse e o diagnóstico veio”, disse Isabel.
Desde o diagnóstico correto, em abril, o menino já passou por duas cirurgias delicadas. A primeira delas para a implantação de uma válvula no crânio e a segunda para a remoção de um tumor de 6 cm do crânio de Davi. Os procedimentos foram realizados no Graacc (Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer), em São Paulo, conhecido como um centro de excelência no tratamento de tumores infantis. O tratamento do garoto é totalmente realizado pelo SUS (Sistema Único de Saúde).
“Depois da cirurgia precisamos voltar e ficamos em São Paulo para a primeira etapa de quimioterapia e radioterapia. Com a ajuda de amigos, que fizeram uma rifa, conseguimos um valor para ficar em um quarto e banheiro perto do Graacc. Ele está com a imunidade baixa e precisa de cuidados redobrados. Eu tive que parar de trabalhar para acompanhar o tratamento e não temos condições de arcar com os custos de acomodação e alimentação na cidade”, disse.
Agora, na sequência do tratamento, Davi deve realizar oito ciclos de quimioterapia. Todos os procedimentos são realizados em São Paulo, por isso, a família precisa de ajuda para alugar um local para ficar na cidade. “Na primeira etapa do tratamento ele realizou 31 sessões de quimioterapia e radioterapia, agora serão oito ciclos de 21 dias de tratamento cada, mas precisamos permanecer em São Paulo, pois ele pode precisar de transfusão de sangue. É um período muito delicado”, explicou a mãe. “Como não temos condições de nos manter lá e ele precisa desse cuidado, procuramos ajuda para em um primeiro momento alugar um local, pequeno, que seja próximo ao Graacc e dar o mínimo de conforto pro meu filho”, completou.
Enquanto não voltam para São Paulo, o que deve acontecer nos próximos dias, a mãe aproveita para realizar os desejos do filho. “A médica me disse para vivermos um dia de cada vez, mas viver um dia de cada vez se despedindo é muito triste. Ele precisa de um milagre e eu peço a Deus todos os dias por isso. Nessa semana fomos pescar, por que ele adora”, disse Isabel, com os olhos cheios de lágrimas.
Em uma rápida campanha, realizada na última semana no programa Hora da Verdade, da rádio Difusora AM, comandado pelos jornalistas Leandro Vaz e Corrêa Neves Jr, foram arrecadados aproximadamente R$ 8 mil, valor que garante a mãe e ao menino alugar um espaço para se hospedarem nos dois primeiros ciclos de quimioterapia, além de se locomover e alimentar na Capital.
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