Uma guerra não anunciada


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País atinge maior índice de assassinatos em 5 anos; são 175 pessoas mortas por dia
Um país marcado pela violência. Assassinatos intencionais, mortes após roubos, lesões que levam a vítima à morte, policiais assassinados em confrontos e civis mortos em ações policiais. A guerra civil enfrentada por todos os brasileiros, de Norte a Sul do país, não é declarada, não é reconhecida pelos governantes. As medidas, quando tomadas, são paliativas, tímidas no resultado, espalhafatosas nos anúncios. Herança de antigos e consequência de atuais governos incompetentes em suas funções de garantir a segurança à Nação, a violência no Brasil atingiu números recordes no ano passado. Foram 175 assassinatos em cada um dos 365 dias de 2017. Por menor que esse índice fosse, já seria inaceitável, mas os números estratosféricos são vergonhosos, medonhos, preocupantes, alarmantes, desesperadores.
 
O banho de sangue que mancha o País é traduzido em números, desde 2013, pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que reúne pesquisadores na compilação das estatísticas oficiais dos 26 Estados da Federação e do Distrito Federal. No ano passado, os índices atingiram a pior marca da série histórica, após um aumento de 3% nas mortes violentas intencionais. Foram 30,8 assassinatos a cada 100 mil habitantes, ou, em número absolutos, 63.880 pessoas mortas intencional e violentamente em todo o país. O estudo mostra ainda que o número de mulheres assassinadas cresceu 6% no ano passado, com 4.539 vítimas. Assim como subiu a taxa de estupros. Foram 60.018 pessoas violentadas sexualmente em 2017, 8% mais em relação ao ano anterior. Outro índice que registrou aumento foi de pessoas mortas pela polícia. De acordo com o levantamento, houve um avanço de 20% nos casos, com 14 mortes por dia, ou 5.144 no total. Já a quantidade de policias assassinados registrou um recuo de 5%: foram 367, segundo o 12º Anuário Brasileiro de 
Segurança Pública, publicado nessa quinta-feira.
 
Os números não são nada além do que todo cidadão brasileiro testemunha, sente e teme diariamente em seus lares, em seus trabalhos, no lazer e no caminho entre eles. Todos vivem como reféns de bandidos, numa espécie de ditadura da criminalidade. As polícias tentam, heroicamente, reverter o quadro. Mas também são vítimas de desgovernos que dominam há décadas a Nação. Há anos, o efetivo policial só faz reduzir. Há anos, as forças policiais são vítimas de um sucateamento. As consequências estão quantificadas no Anuário.
 
Acuados pelos bandidos e abandonados pelos governantes, em ano de eleição, os brasileiros tendem a se simpatizar com discursos extremistas, que prometem soluções instantâneas, através do radicalismo. 
 
Talvez esteja aí o maior perigo: sem preparo, efetivo e equipamentos, declarar guerra e acabar derrotado.

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