Uma viagem de trabalho e novas oportunidades para a vida de 14 pessoas vindas do Nordeste do País transformou-se em uma tragédia na madrugada dessa quinta-feira. O ônibus em que elas estavam, pertencente à Coopertai (Cooperativa de Transporte Complementar Interestadual) e com placas de Frei Paulo (SE), tombou na rodovia Anna Thereza Villela Rosa Rodrigues Alves, em Restinga. Uma mulher de 31 anos morreu.
De acordo com informações da Polícia Militar Rodoviária, o veículo havia passado em Restinga para deixar um casal. Depois, o motorista do micro-ônibus, de 50 anos, perdeu o controle da direção em um trecho conhecido como “curva do S”. “Pelo que apuramos, ele seguia para a rodovia Cândido Portinari quando saiu da pista, só parando após tombar em um canavial”, explicou o cabo Vieira.
No veículo estavam 14 pessoas. Segundo a Polícia Rodoviária, cinco delas sofreram ferimentos leves e ainda houve uma vítima fatal. A mulher, identificada como Lasiane Machado de Freitas dos Santos, tinha 31 anos e estava com as duas filhas, de 11 e 12 anos.
Enquanto o corpo de Lasiane era removido ao IML (Instituto Médico Legal) de Franca, suas crianças foram socorridas juntamente com os outros feridos até o Pronto-socorro “Álvaro Azzuz”. Elas passam bem e, de acordo com a polícia, estão sob cuidados do Conselho Tutelar de Franca. Já o motorista do micro-ônibus fugiu do local do acidente, deixando seus documentos e passageiros para trás. Até o fechamento desta edição, ele não havia se apresentado à polícia. Também não havia definição do horário, data e local de velório e sepultamento de Lasiane.
O caso já está sob investigação na Polícia Civil de Restinga, que deve apurar se o micro-ônibus tinha autorização para o tipo de serviço prestado à população.
Passagem e tristeza
Os destinos dos 14 passageiros do micro-ônibus eram diversos, mas o objetivo era o mesmo: novas oportunidades de vida. Segundo a polícia, o veículo saiu de Sergipe na última terça-feira e estava deixando as pessoas em algumas cidades da região de Franca. Restinga era uma delas. Depois, mais passageiros desceriam em Ribeirão Preto, Severínia, Itupeva, Osasco e São Paulo.
Luciele Cardoso é uma dessas pessoas que estava no coletivo com a esperança de uma mudança de vida. “Todos são de Sergipe. Algumas pessoas saíram de lá para trabalhar e morar em várias regiões daqui. Eu, por exemplo, ia para Ibitinga”, explicou a mulher que, assim como os outros passageiros, pagou R$ 280 na passagem para vir para o Estado de São Paulo.
Apesar de não se recordar do acidente, uma outra jovem, de 19 anos, disse que estava conversando com Lasiane, a vítima fatal, instantes antes do tombamento. Ela lamentou o ocorrido. “Fizemos amizade dentro do ônibus. Não sei o que aconteceu, só pensei em pegar meu filho. Desmaiei e uma outra mulher pegou meu menino. Depois, quando acordei, fui ver os filhos da moça que morreu e cuidei deles. É uma situação muito difícil e triste, só Deus nos dar força”, lamentou.
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