O vice perfeito do preconceito


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Mourão retomou o discurso do ‘velho Bolsonaro’, que conquistou o eleitorado
Foi com um discurso extremista e, às vezes, preconceituoso, que o capitão reformado do Exército, deputado federal por quase três décadas, Jair Bolsonaro (PSL) chegou à condição de líder de pesquisas eleitorais para a presidência da República, no período de pré-campanha. Três nomes eram aventados para ocupar a candidatura de vice na chapa liderada pelo “mito” de milhões de brasileiros que, abandonados e/ou desiludidos com a política atual, viram no excêntrico militar da reserva uma esperança para recolocar o Brasil nos trilhos, se não do desenvolvimento, pelo menos da ordem, da decência - se é que exista algo decente no que ele propaga. Ao mesmo tempo em que tenta amenizar o discurso, ser menos polêmico em suas afirmações - na intenção de angariar votos de outros setores da sociedade repelidos por suas palavras -, Bolsonaro definiu quem seria seu vice. A escolha parece acertada, pois no primeiro discurso nesta condição, o companheiro de chapa do deputado retomou o discurso do “velho Bolsonaro”, aquele mesmo que conquistou a simpatia e até idolatria de seu eleitorado.
 
“Temos uma herança cultural, uma herança que tem muita gente que gosta do privilégio (...) Essa herança do privilégio é uma herança ibérica. Temos uma certa herança da indolência, que vem da cultura indígena. Eu sou indígena. Meu pai é amazonense. E a malandragem (...) é oriunda do africano. Então, esse é o nosso cadinho cultural. Infelizmente gostamos de mártires, líderes populistas e dos macunaímas.” Essas foram as palavras carregadas de preconceito do general da reserva Antonio Hamilton Mourão (PRTB), em evento da Câmara de Indústria e Comércio de Caxias do Sul (RS), na última segunda-feira.
 
Mourão chegou à candidatura a vice de Bolsonaro após a advogada Janaina Paschoal, coautora do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff recusar o convite. Ao lado do general reformado, disputava a função o “príncipe” Luiz Philippe de Orléans e Bragança, herdeiro do imperador Dom Pedro I. Todos ostentam discursos, no mínimo, controverso, mas entre eles, o único capaz de reproduzir com fidelidade as falas do cabeça da chapa seria e é o militar. Em nota enviada à imprensa por sua assessoria, o vice de Bolsonaro tentou se defender. “O contexto que coloco é da herança cultural, tendo como base estudiosos gabaritados da nossa nacionalidade. Esse contexto trouxe heranças positivas e negativas, sem distinção de cor e raça, para todos os brasileiros”, disse. Esquece-se, porém, de explicar por que em vez de ressaltar as contribuições dos diferentes povos para a formação da Nação brasileira, resolveu destacar “as heranças negativas”.
 
Mourão contribuiu apenas para reforçar o preconceito que somente faz aumentar a polarização brasileira e, a depender de seu discurso e de seu líder, caminha por uma rota extremamente preocupante, perigosa.

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