Enquanto mais de duas mil crianças aguardam por uma vaga de creche em Franca, a construção de cinco creches-escolas, que deveriam ter sido entregues há três anos durante o governo do ex-prefeito Alexandre Ferreira (SD), continua paralisada desde o final de 2016 e sem previsão de entrega. As unidades, que ficam nos jardins Martins e Cambuí, Parque das Esmeraldas e nos residenciais São Jerônimo e Paraíso, somariam 650 vagas.
Ontem, a reportagem do Comércio esteve nas cinco unidades. Nas unidades localizadas nos jardins Martins e Cambuí, Parque das Esmeraldas e no Residencial São Jerônimo, em que as obra estão entre 15% e 55% concluídas, restam entulhos, lixo, garrafas de bebidas e até camisinhas evidenciando que os espaços têm sido utilizados por moradores de rua e usuários de drogas. Na obra do Residencial Paraíso, a mais adiantada com 85% das obras concluídas, os portões estão trancados com cadeados.
Entre as famílias prejudicadas com a paralisação das obras está a da atendente de telemarketing Mikaelle Oliveira da Silva, de 28 anos, moradora do Jardim Ana Dorethéa. Para conseguir uma vaga para o filho de 3 anos, ela que mora na mesma rua em que era construída a creche-escola do Residencial São Jerônimo, precisou ingressar na Defensoria Pública. “Esperei uma vaga por 1 ano e 8 meses e só consegui após ingressar com um pedido na Justiça. Preciso levar todos os dias meu filho até o Samaritano, no Jardim Redentor, enquanto moro a alguns metros de uma creche-escola que deveria ter ficado pronta antes mesmo do meu filho nascer”, disse.
Paralisação
As obras, que estavam a cargo da empresa SM Engenharia, foram paralisadas no fim de 2016, ainda na gestão de Alexandre Ferreira. Na época, a Prefeitura informou que, por diversas vezes, a fiscalização teria comparecido nas obras e constatado que não haviam funcionários da empresa, caracterizando a paralisação dos serviços. Com base nisso, foram rescindidos os contratos administrativos. Logo após o cancelamento, a assessoria de imprensa da Prefeitura havia estimado que “entre a vistoria nas creches, publicação do edital e a transição de governo, as obras deveriam continuar paralisadas por, no mínimo, 60 dias” e levaria até um ano para que as unidades fossem entregues. O prazo, porém, não foi cumprido.
Na semana passada, a Prefeitura abriu processo de licitação para contratar empresa que concluirá as obras das unidades do Cambuí e Paraíso. No caso das outras três unidades, o mesmo deve acontecer nas próximas semanas.
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