Separar sua função pública de suas atividades políticas é um objetivo que todo político deveria lutar pra alcançar. Valer-se dos benefícios que a condição eletiva lhes proporciona para assuntos particulares, mesmo que envolvam a política, é cuidar muito mal do dinheiro público, é – em última instância – um desrespeito com o povo tão sofrido com um estado inoperante. Usar um carro oficial e usufruir das diárias pagas pela Câmara de Franca para participar da convenção estadual do PSB, em São Paulo, é um grande erro. Justificar que a diretoria da Casa Legislativa autorizou a viagem, porque o vereador foi convocado pelo partido como delegado, não é suficiente. A pergunta que permanece, aliás, é como um setor Jurídico tão atuante no Legislativo Francano, responsável pela controladoria dos gastos da Casa, não alertou o parlamentar, não o impediu de cometer um erro tão flagrante? Vereador é o representante do povo, que deve lutar por suas demandas. A função de delegado convocado por partido interessa pura e simplesmente à legenda política. De o contribuinte se beneficiará, a princípio, das decisões tomadas.
O sábado foi de convenção do PSB. Na reunião estadual realizada em São Paulo, foi oficializada a candidatura de Márcio Franca, atual governador do Estado, à reeleição. Ontem também foram confirmados Dr. Ubiali como candidato a deputado federal e Roberto Engler a estadual. O vereador francano Pastor Sérgio Palamoni esteve presente e, assim como outros companheiros de partido, usou carro oficial, motorista da Câmara e diárias antecipadas para viajar até São Paulo. A foto do Ford Focus Titanium, patrimônio da Câmara de Franca, estacionado na porta do Palácio do Trabalhador, no bairro da Liberdade, na Capital, foi publicada em primeira mão pelo Portal GCN (www.gcn.net.br), em matéria do repórter Edson Arantes. Horas depois, ganhou os principais sites de notícia. De acordo com o jornal Folha de S.Paulo, carros das Câmaras de Teodoro Sampaio e de Cabreúva, da Prefeitura de Guarujá e outro da Assembleia Legislativa do Estado também foram flagrados à porta do espaço que recebeu a convenção. “Minha vinda à convenção
foi liberada pelo Controle Interno da Câmara, pois fui convocado por ser delegado. A viagem foi autorizada por ser legal. De acordo com a direção da Câmara, não há ilegalidades.” Essa foi a explicação do vereador. Se a viagem é legal, alguma coisa está errada. Urge a necessidade de os vereadores de Franca reverem tal legislação, se é que existe. Agora, moral não será - Nunca. Como um líder político e religioso, o ideal é que o Pastor Palamoni, homem com um histórico de muito respeito e reconhecido pelo seu equilíbrio ao tomar decisões, reconheça o equívoco e devolva o dinheiro público utilizado na viagem. Homens públicos estão diariamente enfrentando a opinião pública e, por mais duro que seja, o que o Brasil precisa neste momento é de representantes que saibam não apenas governar, mas também admitir quando erram e dar o exemplo de consertar o problema. Que assim seja com Palamoni.
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