Eduardo Nantes Bolsonaro tem 34 anos, é advogado formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e escrivão da Polícia Federal. Trabalhou em Rondônia, na fronteira com a Bolívia, e no Aeroporto de Guarulhos, sempre no controle de entrada de drogas. Filho do presidenciável Jair Bolsonaro, se tornou deputado federal por São Paulo, nas eleições de 2014, ao receber 82.224 votos. Está cumprindo o primeiro mandato em Brasília e tentará a reeleição.
A exemplo do pai, é conservador e conhecido pelas polêmicas. É um dos políticos mais populares das redes sociais. Tem 1,6 milhão de seguidores no Facebook e 565 mil no Instagram. É tratado como celebridade por onde passa e chamado pelos fãs de “mito”. Figura entre os favoritos a serem campeões de votos nas próximas eleições.
No dia 24 de julho, o deputado veio a Franca para fazer palestra sobre segurança. Antes de arrastar uma multidão ao plenário da Câmara, visitou a sede do Comércio e concedeu esta entrevista exclusiva.
Como é ser filho de Jair Bolsonaro neste período eleitoral em que ele está no centro das atenções?
É motivo de muito orgulho. Jair Bolsonaro não está envolvido em nenhum escândalo de corrupção, as pessoas, quando você vai para o corpo-a-corpo, ficam mais à vontade de dizer que apoiam o Jair Bolsonaro. Às vezes, nas redes sociais, por conta destes rótulos “racista”, “sexista”, “misógino”, “xenófobo”, “nazista”, “fascista”, as pessoas não ficam muito confortável de falar, mas, quando estão perto de você, o apoio é sensacional.
Você está percorrendo o Estado e o seu pai cada dia está em algum lugar do País. Sobra tempo para se encontrarem?
Só tenho tempo com ele quando vou ao Rio de Janeiro nos domingos. Normalmente, é o dia que ele tira para descansar, estudar e se programar, mas o tempo tem sido cada vez mais escasso. Consegui acompanhar um pouco a rotina dele no começo. De um mês para cá, o volume de trabalho tem sido muito grande e não dá mais para fazermos algum programa de lazer juntos. Encontro com ele em eventos políticos, sempre de maneira rápida.
Como é o pai Bolsonaro, é durão como nas entrevistas e pronunciamentos?
As pessoas me perguntam se ele batia muito em nós, se dava castigo. Nada disto. Quem batia na gente, com chinelada, correada e dava castigo era minha mãe. Meu pai é uma manteiga dentro de casa. Tivemos uma boa educação.
Os três irmãos seguiram os passos do pai e se tornaram políticos...
Sim. Sou deputado federal por São Paulo e o Flávio pelo Rio de Janeiro. O Carlos é vereador no Rio. O Carlos, que é o filho do meio, foi o primeiro a entrar na política. Com 17 anos, ele foi eleito vereador. O requisito dos 18 anos é no momento da posse. Foi eleito o vereador mais novo da história do Rio. Nas últimas eleições, ele foi o mais votado. Teve mais votos, inclusive, do que a candidata a Prefeitura pelo PC do B, Jandira Feghali.
Você defende as mesmos ideias e adota a mesma postura polêmica do pai. É um reflexo dele?
Sim. As poucas coisas que não convergem, a gente conversa dentro de casa e argumenta. Se conseguir comprovar que ele está errado, ele muda a opinião dele, é muito aberto a este tipo de coisa. Agora, temos princípios e valores que são inegociáveis, como, por exemplo, o aborto, que somos contra. A gente entende que não existe espaço em um País, em que a maioria das pessoas é cristã, para a flexibilização do aborto. Se há uma maioria que é favorável, eu não conheço. Por onde eu ando, não é assim. Combate à corrupção e honestidade vêm de berço, não tem como você negociar. Não temo como ser maleável com a ética. Ou você é ético ou você não é ético.
Porque a família Bolsonaro é contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo?
A questão não é ser contra ou favorável. Há diversos artigos da Constituição que eu sou contrário. Gostaria que no Brasil existisse pena de morte, prisão perpétua e trabalho forçado, não pode. Para a gente viver em harmonia, tem que respeitar a Constituição. No artigo 226, parágrafo terceiro, tem que o casamento é feito entre um homem e uma mulher. Quem quer mudar esta realidade, tem que propor uma Proposta de Emenda à Constituição. Como eles sabem que esta pauta não vai ser alterada, eles tentam atropelar fazendo o ativismo judicial, vão para o STF. Como os ministros não têm que colocar a cara na rua para pedir votos, como têm mandato vitalício, fazem o que bem entendem. Estamos vivendo a ditadura do STF.
Com relação aos gays, não há o menor problema. Vou perguntar igual ao Jair Bolsonaro: ‘Você sabe se eu sou gay? Põe a mão no fogo?. Não sabe. Isto é interessante para o nosso trabalho, para nossa vida, para ser um bom filho, um bom pai, um bom empregador? Claro que não’. Estão dando uma supervalorização a este tema e, sem querer, acabam dividindo a sociedade. Daí, aparece o político dizendo que vão proteger o homossexual. Não, o homossexual vai à luta, que seja feliz, que faça o que quiser entre quatro paredes, assim como todos nós fazemos.
Acredito que o Brasil tem pautas muito mais importantes do que esta do homossexual para se colocar adiante. Por exemplo, morrem 60 mil pessoas por ano no Brasil. Neste bolo, tem um monte de homossexual. Vamos resolver este problema?
Os Bolsonaros são racistas?
Não. O meu pai é casado com uma mulata. O sogro dele é o “Paulo Negão”. A filha que o Jair Bolsonaro tem com a atual esposa dele, a Michele, faz jus às cotas. Será que isto é justo, a filha de um deputado federal ser cotista? É óbvio que não. Este tema é mais uma matéria que divide a população para jogar um contra o outro. Hoje em dia, nem humorista consegue fazer piada no Brasil sem tomar processo. É a patrulha do politicamente correto, coisa que não existia há 15, 20 anos. Antes, especialmente, do Lula entrar.
Hoje, se o cara tem um carrão ele não pode ir para a rua porque o outro pensa que ele é pobre e não pode ter carrão. Olha para ele e pensa: ele deve ser um canalha, um ladrão. Então, é rico contra pobre, branco contra negro, hétero contra homo, nortista contra sulista, pai contra filho na lei das palmadas. Nem corretivo mais pode dar no filho. O Estado, até nisto, interfere. O que a gente prega é exatamente o contrário: o Estado não interferir na esfera privada. O que vai fazer um indivíduo forte, com liberdade para ele fazer o que ele bem entender, não é o Estado forte protegendo. É garantindo a ele que tenha liberdade de fazer suas escolhas na vida.
Como avalia a posição do PT de insistir com a candidatura de Lula à presidência?
Nós, que estamos dentro do Congresso Nacional, sabemos que o Lula não vai ser candidato. Isto tudo é estratégia para, no momento, pertinente, eles transferirem esta votação do Lula para o candidato que interessar ao PT. O Lula sair candidato é impossível. Imagine um presidiário sendo candidato, pelo amor de Deus. Isto demonstra o desespero e a falta de valores da esquerda. O Lula comandou o mensalão e disse que não sabia de nada, conseguiu se safar. Depois, veio o petrolão. Sua sucessora foi impichada. Não consegue explicar o triplex no Guarujá, uma casa em Atibaia que tem até pedalinhos com nomes do parentes deles e o cara sempre dizendo que não é dele. Daí, vão no exterior e dizem que foi golpe, que o Lula é um preso político. Estes caras não têm a mínima noção do senso do ridículo.
O Jair Bolsonaro enfrenta dificuldades para encontrar um vice e para formar alianças. Se eleito, como ele vai governar sem uma base de apoio?
Até onde sei, nenhum dos presidenciáveis tem o vice. Fico até feliz com esta questão toda sobre o Bolsonaro, pois mostra que ele está em primeiro e que os holofotes estão virados para ele. Por que os partidos não se aproximam? Tem que ver o que eles estão pedindo. Será que querem ministério e estatal para a gente ter outro petrolão?
Nós fizemos um pacto: a gente não vai para a cadeia por conta da nossa tentativa de chegar à presidência da República. Os partidos que quiserem se aproximar, estamos de portas abertas, mas não vamos negociar este tipo de coisa. Se for para ficar só com oito segundos na televisão, assim será e a gente conta com o povo para nos ajudar.
Temos que fazer uma mudança estrutural no Brasil. Meu pai está fora do sistema corrupto que estamos vendo no país. Ele carrega consigo os valores cristãos e se contrapõe à inversão de valores. O Jair Bolsonaro não é o salvador da pátria, mas é uma possibilidade para que o Brasil dê certo. Com os outros, a gente já errou.
Brasil acima de tudo e Deus acima de todos.
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