Dia das mulheres na política nacional


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Sejam novos desafios, seja um ponto final. As notícias dessa sexta-feira no setor político brasileiro tiveram mulheres como protagonistas. São três as personagens, todas envolvidas em candidaturas como vice-presidente da República. Um país machista, em que é necessário impor cotas para ter um mínimo de mulheres entre os candidatos ao Legislativo, testemunhar protagonismo feminino por pelo menos um dia e em um cargo – mesmo que não o principal – no Executivo é motivo para ter esperança no futuro. Apesar de maioria entre os eleitores, as mulheres são, frequentemente, meras coadjuvantes nos processos eleitorais brasileiros. As semelhanças nas notícias de ontem, porém, terminam no sexo e no cargo, porque cada uma das três tem objetivos, consequências e vieses completamente divergentes.
 
A primeira e menos surpreendente das notícias foi a confirmação, ainda na noite de quinta-feira do nome da senadora Ana Amélia (PP-PR) como vice na chapa para a presidência da República de Geraldo Alckmin (PSDB). A repercussão se deu ontem. A gaúcha completa neste ano seu primeiro mandato no Senado Federal. Alheia aos escândalos que envolvem grande parte de seu partido, Ana Amélia tinha sua reeleição praticamente garantida. Mas teve a coragem de dizer sim ao convite para compor a candidatura de centro. Terá a missão de dar vida à anêmica candidatura do tucano.
 
A mais das surpreendentes notícias de sexta foi a aposentadoria – pelo menos dos cargos eletivos – da também senadora Marta Suplicy (MDB-SP). Convidada pelo partido a ser vice de Henrique Meirelles, compondo uma chapa “puro sangue”, a ex-prefeita de São Paulo recusou o convite, e foi além. Teve a coragem de anunciar que não será nem candidata à reeleição ao Senado. Eleita há oito anos pelo PT, em 2015 migrou para o MDB disparando duras críticas ao antigo partido. Agora se aposenta, afirmando que os partidos políticos “Orientam suas movimentações (...) com o objetivo perverso e mesquinho de fortalecerem-se na divisão e loteamento de cargos e espaços de poder”.
 
A terceira personagem da sexta é a candidata do PCdoB à Presidência da República, Manuela D’Ávila. A notícia é de que hoje ela abrirá mão de sua candidatura para ser vice na virtual chapa do ex-presidente Lula (PT). O que ele trama da cadeia não é de todo público. Mas pelas consequências de suas ordens é claro que seu poder de persuasão sobre os partidos de esquerda e as negociatas político-eleitoreiras não foram contidos pelas grades da prisão. A comunista, que poderia ter algum ganho com a candidatura própria, toma uma atitude inconsequente rumo ao incerto.
 
Três mulheres, três decisões e três certezas: a presença delas na política pode e deve aumentar ainda muito mais; Lula continua com o mesmo poder, apesar de preso; e a política brasileira continua podre.

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