Saci-Pererê


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Era uma vez um menino
Que tinha o triste destino
De trabalhar para o mal
Quebrava a louça por troça
Botava fogo na roça
Escancarava o curral
 
Como o Pedro Malasarte
Era visto em toda a parte
Mas pulando c’um pé só
Uma queda na cisterna
Foi que lhe quebrou a perna
Segundo disse a vovó
 
Na poeirada dos caminhos
Levantava remoinhos
Que faziam sufocar
E, nesse divertimento
Aparecia um momento
Para sumir-se no ar
 
Achando pouco esses danos
Levava a gente aos enganos
Pois que sabia mentir
Com tamanha habilidade
Fazia tanta maldade
Que nem há mãos a medir
 
Mas veio, um dia, o castigo
Desse danado inimigo
Com infernal frenesi
Para o sossego da gente
Ele virou de repente
O passarinho saci
 
Hoje, tão triste e singelo
Num desespero amarelo
Como a florada do ipê
Nas fumaradas de agosto
Geme com fundo desgosto
— Saci… saci-sererê!

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