MDB oficializa henrique Meirelles para suceder o impopular michel Temer
Está oficializado. As eleições de 2018 terão um candidato do MDB ao Palácio do Planalto. Henrique Meirelles é o escolhido para defender o “legado” do presidente Michel Temer na campanha que está prestes a começar. Resta saber o que defender, como fazê-lo e evitar que a altíssima rejeição ao atual governo naufrague a candidatura. São questões aparentemente sem respostas, em um partido tradicionalmente rachado. A insistência na candidatura própria, patrocinada pelo atual mandatário da República, não tinha e não tem o apoio nem mesmo de figurões da legenda. Meirelles realiza o sonho pessoal de disputar uma eleição presidencial, mas com pouquíssimas ou nenhuma chance de vencer. E o pior, o concretiza por meio de uma legenda que tem sua história marcada por traições e, nas últimas décadas, por ser o parceiro perfeito dos governantes, fossem eles quem fosse. Chegar ao posto máximo da Nação não significou vitória do partido. Temer e seu governo colecionam recordes históricos de desaprovação, tanto que chegou-se a cogitar ignorá-lo na convenção que lançou a candidatura de Meirelles. Não foi isso, porém, que se viu na manhã dessa quinta-feira. O impopular presidente não apenas foi citado, como participou do encontro e discursou. Atacou o que classificou como “pigmeus políticos”..
“Alguns candidatos são pobres coitados. São candidatos sem propostas que vão para a baixaria. São pigmeus políticos. Nós não somos pigmeus políticos, o MDB é feito de gigantes”, afirmou ontem Temer, num ataque sem nomes, mas claramente direcionado a Jair Bolsonaro (PSL) e Ciro Gomes (PDT), que lideram as mais recentes pesquisas. Se, como diz Temer, o MDB é formado por “gigantes”, o fato é que são tantos os “caciques” que o partido é formado por vários outros pequenos MDBs. Meirelles deve sofrer agora, o que aconteceu com Ulysses Guimarães, um dos principais nomes da redemocratização do Brasil, presidente da Assembleia Constituinte e candidato a presidente da República em 1989. Naquele ano, ele foi abandonado pelo próprio partido durante o pleito.
A história do MDB é, sim, gigante. Vem desde a Ditadura Militar. Era o partido de oposição ao regime autoritário. Mas na recente democracia, transformou-se na “noiva perfeita”. Com ampla infiltração nos rincões brasileiros, garante desde 1989 uma das maiores bancadas no Congresso. Deu sustentação aos governos tucanos de Fernando Henrique Cardoso e petistas de Luiz Inácio Lula da Silva. Com Dilma Rousseff, também do PT, chegou à vice-presidência. Foram duas eleições como vice. No início do segundo mandato, comandou o processo de impeachment da petista e, finalmente, chegou ao poder.
O homem do presidente pode ter um plano de governo - é um homem respeitado e experimentado -, mas como candidato do MDB, tende a se juntar aos “pigmeus políticos”, pois seu isolamento dentro partido, mesmo na figura de candidato a presidente, são favas contadas.
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