500 detentos trabalham para obterem remição de pena


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Autoridades locais e o diretor da Penitenciária, Válter Moretto, participam de abertura da Jornada de Cidadania e Empregabilidade
Autoridades locais e o diretor da Penitenciária, Válter Moretto, participam de abertura da Jornada de Cidadania e Empregabilidade
Atualmente com mais de 2 mil presos, a Penitenciária de Franca realiza nesta semana a 3ª edição da Jornada de Cidadania e Empregabilidade. A ação realiza palestras dos mais diversos temas, emissão de documentos como RG, CPF, Certidão de Nascimento e Casamento, Carteira de Trabalho e ainda atendimentos médicos como testes de glicemia e aferição de pressão. O intuito principal é levar cidadania para dentro do presídio.
 
Ontem, autoridades locais e representantes da Defensoria Pública, Funap (Fundação “Prof. Dr. Manoel Pedro Pimentel”), Câmara Municipal, Prefeitura, Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) e Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca), além de um grupo de detentos, participaram da cerimônia de abertura da Jornada que segue até sexta-feira, 3 de julho.
 
“A Penitenciária tem hoje uma série de ações que oferecem oportunidades para os presos que querem se recuperar, aprender e criar um novo caminho. Eles receberam aqui dentro a oportunidade de fazer diferente. Contamos com parceiros importantes, como o Senai, o Sindifranca, a Defensoria Pública, Funap, Prefeitura e Câmara Municipal. Todos têm colaborado muito para este trabalho. Se um preso for recuperado por mês já é motivo de alegria, quem dirá os 20 que temos conseguido por mês”, disse o diretor da Penitenciária, Válter Moretto. 
 
Com 500 detentos trabalhando pela remição de pena - a cada três dias trabalhado é reduzido um dia da pena - a Penitenciária conta hoje com quatro empresas parceiras. Cerca de 200 presos trabalham e recebem um salário mínimo cada. O restante, que exerce serviços internos como limpeza, cozinha e artesanato, tem a remição da pena. Dentro da unidade, funcionam oficinas de pesponto da Mariner e de fivelas da Metalvale. “Temos possibilidade de ampliar muito as vagas, só precisamos de empresas parceiras que queiram trabalhar dentro da Penitenciária. Enquanto isso selecionamos os candidatos que trabalham com base no bom comportamento e conhecimento na área”, disse Moretto. 
 
Cumprindo pena de 12 anos por assalto, há oito meses um francano de 38 anos é um dos presos que têm trabalho remunerado na Penitenciária. Para ele a iniciativa é uma forma de dar oportunidades de inserção para aqueles que ficarão por muitos anos atrás das grades. “Essa é uma iniciativa muito boa e que permite pessoas como eu, que ainda ficarão muitos anos presos, possam manter a mente ocupada e de uma forma digna. Ganho um salário e com ele, além de ser reintegrado da maneira que posso, ainda ajudo a minha família”, disse o preso que também concluiu os estudos dentro do presídio. 
 
Remição também por meio da leitura
Desde o início deste ano, 30 detentos participam do projeto Remição por Leitura. Realizada em parceria com alunos da Unesp, a iniciativa busca estimular a leitura entre os participantes e, em contrapartida, a cada livro finalizado o preso tem quatro dias reduzidos da sua pena.
 
“A leitura é uma forma de distração, nos leva para novos caminhos e ainda expande os nossos horizontes. Antes não sabia fazer uma redação e hoje aprendi. Sem falar que ajuda na diminuição da pena”, disse um dos participantes do projeto. Com 26 anos, o homem, que é natural de Franca e está preso há 1 ano e 4 meses, cumpre pena de 33 anos por tráfico de drogas.
 
Até o momento, os presos leram e analisaram quatro livros: O alienista, de Machado de Assis; Meu pé de laranja lima, de José Mauro de Vasconcelos; O diário de Anne Frank, de Anne Franck e O diário de uma paixão, de Nicholas Sparks.
 

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