S e há um País que não deve menosprezar a figura do vice, este País é o Brasil. Desde a redemocratização, em meados da década de 1980, o Brasil teve sete presidentes da República, desses três eram vices. São 34 anos de uma Nação democrática e poucos, os privilegiados em comandar o Palácio do Planalto. Ainda em uma eleição indireta, Tancredo Neves foi o primeiro civil escolhido presidente desde o golpe militar, em 1964. Ele não viria a assumir o cargo. Morto, vítima de infecção generalizada, cedeu o posto ao vice, José Sarney. Fernando Collor de Mello foi o primeiro a ser leito eleito pelo voto popular, mas sofreu o impeachment. O vice, Itamar Franco, foi, então, alçado ao poder. Vieram Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, que completaram, cada um deles, dois mandatos. Dilma Rousseff também foi eleita para dois, mas depois de pouco mais de um ano do segundo, sofreu o impeachment e seu vice Michel Temer assumiu o Planalto. No Estado de São Paulo, o governo também é assumido por vices com certa frequência. Com a morte de Mário Covas, no fim da década de 1990, assumiu o vice Geraldo Alckmin. Para os titulares dos cargos disputarem postos maiores, tiveram de renunciar e os vices viraram governadores. Casos, nos últimos anos, de Cláudio Lembo, Alberto Goldman e, mais recentemente, Márcio França. Este, inclusive, que disputa a reeleição e que, a poucos dias do prazo final para realização das convenções, ainda não definiu seu vice.
Não. Pelo menos no Brasil, não. O vice não tem uma função meramente figurativa. Os exemplos são claros. A começarmos por José Sarney. Ele cumpriu todo o mandato que, a priori, seria de Tancredo Neves, que adoeceu quando da posse e morreu dias depois. Collor praticamente dividiu seu mandato com Itamar. Já Dilma, como todo o Brasil, virá no final de dezembro deste ano, Temer ter comandado seu segundo mandato por mais tempo do que ela. No caso de governadores, as mudanças recentes foram meramente eleitoreiras. Todos que cederam o comando aos vices, com exceção de Covas, foram para concorrer o pleito para o Palácio do Planalto. José Serra o fez, e Alckmin, neste ano, pela segunda vez.
O diferente, agora, em São Paulo é que o vice alçado a governador quer ser reeleito. Márcio França conhece, como poucos, a importância do vice. Talvez seja por isso que, até agora, a poucos dias do final do prazo para a definição, não tenha escolhido o seu. Ou talvez seja falta de nomes ou pura incompetência mesmo. Ao verificar o número de partidos ao seu lado - PR, PSC, PTB, PV, SD, Pros, PPL, PPS, Podemos, PHS, PRP, PMB, Patriota e PDT -, também surge outra alternativa: excesso de nomes. Mas, ao que tudo indica, a dúvida paira sobre apenas dois: o da medalhista olímpica Maurren Maggi e da coronel da Polícia Militar Eliane Nikoluk. Se a escolha ficar entre uma atleta e uma militar – moda no país de Bolsonaro – e se a tendência nacional de ascensão de vices se mantiver, França confere a tal importante cargo uma função meramente eleitoreira.
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